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AFaGHo
Apoio a Familiares e Grupos de Homossexuais |
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| O AFaGHo
foi formado em Campinas, em 2002, como um suporte para pais e mães
que são pegos de surpresa pela orientação sexual diversa
do filho ou da filha. Através dessa coluna, a Dra. Ana Maria
Ribeiro (ela própria mãe de um E-jovem) respondeu
a várias dúvidas sobre como esses pais podem lidar com seus
filhos e vice-versa - até ser assassinada por dois homens, no final
de 2005, por ter defendido uma menina de abuso sexual.
Mas seu trabalho continua, através de outras mães. O AFaGHo já promoveu reuniões de pais e familiares em Campinas e ainda responde a dúvidas, comentários e sugestões por meio do e-mail afagho@e-jovem.com |
| 13
DE FEVEREIRO
Dia
das Mães e Pais de E-jovens
Angela
Moysés
Mas o legal é quando o pai ou a mãe não sabem ainda que são pais de um menino gay, de uma menina lésbica, e recebem a rosa mesmo assim. "Por que isso?", perguntam. E os filhos respondem: "Um dia você vai saber..." Essa tradição começou num de nossos encontros do Grupo E-jovem em Campinas. O tema era a relação entre pais e filhos gays e lés e mais de 20 pessoas foram na nossa sede conversar. E o melhor é que tínhamos um pai e duas mães junto com a gente: o seu Orlando, pai da Aira; a Nay, mãe da Lys; e a Ismê, mãe do Alan. Foi um longo bate-papo sobre suas descobertas e de como lidaram (e ainda lidam) com o fato de seus filhos serem diferentes. Falamos de família, de preconceito (que, todos concordaram, é fruto da ignorância, da falta de informações que muitos pais têm sobre o que é homossexualidade, o que é ser homossexual), de rótulos, de amor, de respeito. O povo fez várias perguntas aos pais, que procuravam responder da melhor maneira possível - mas tudo num clima super bom, sempre tinha alguma coisa que fazia todos rirem sem parar! Uma coisa que pipocou na fala de todos os pais ali, e que é interessante destacar, foi a importância do diálogo. Todos estavam ali sábado porque aceitavam (ou, no mínimo, respeitavam) a orientação sexual do filho e sua decisão de viver isso plenamente. Mas isso porque houve um diálogo franco e aberto entre pai e filha, mãe e filho e mãe e filha. Eu achei legal quando o seu Orlando chamou a atenção pra um fato que acontece muito: quando o filho resolve contar que é gay no meio de uma discussão com os pais. Não funciona, disse ele. Tem mesmo é que pensar com cuidado no assunto, sentar e conversar, bem preparado. Preparado até para, contrariando a crença popular de que 'mãe sempre sabe', pegar a mãe de surpresa: a Nay confessou ali pra gente que nem suspeitava que a filha era lés. Mas que a abertura que as duas sempre tiveram, aliada ao pouco preconceito que ela tinha quanto a amar alguém do mesmo sexo ("Quando você fecha os olhos", disse ela, "o que você vê não é o sexo. É o espírito da pessoa." Fofa! ), foram fundamentais para essa aceitação. Mas, deguindo a regra, tanto o seu Orlando quanto a Ismê disseram que já sabiam que seus filhos eram homossexuais e só esperavam a confirmação. Segundo Ismê, o adolescente cresce quando resolve assumir por livre e espontânea vontade uma coisa dessas. "Tem que ser muito macho pra isso!", falou ela, toda orgulhosa do seu rebento. Orgulhosos estamos nós, E-jovens, de existirem pais e mães como vocês!! E foi assim. Então não se esqueça: No próximo dia 13 de fevereiro, dê uma rosa amarela para sua mãe e para o seu pai. eles podem não saber (ainda) por que estão recebendo, mas você sabe por que está dando: porque você os ama e espera que eles te amem do jeitinho que você é, gay, lésbica, travesti, transexual ou bissexual. Quem sabe a rosa já não é um pretexto pra começar uma loooonga cconversa...? Beijo do Deco
=]
Mãe
de lés
por Angela
Moysés
Sou mãe de duas meninas, uma com 19 anos e outra com 16. Descobri a homossexualidade da mais velha há 3 anos e meio. Ela estava com um comportamento diferente, estava triste, nervosa, arredia. Quando eu perguntava o que estava acontecendo, ela me dizia: “Nada, mãe, estou apenas estressada, muita coisa pra fazer...” Ela realmente estava estudando muito, 1º ano do Ensino Médio de manhã, curso de Inglês à tarde, cursinho à noite, era compreensível que estivesse cansada e nervosa. Pedi-lhe que parasse alguma coisa, que não exigisse tanto de si mesma, mas não adiantou. Ela continou se “atropelando” (hoje sei por quê) e ficando cada vez mais nervosa e depressiva. Uma noite, após pegá-la no cursinho, sentamos para lanchar e eu lhe disse que não levantaríamos da mesa enquanto ela não me contasse o que realmente estava acontecendo com ela. Ela começou a chorar e falou que achava que era diferente, que gostava de meninas e não de meninos. Fiquei muito chocada, não esperava a “novidade”. Nunca me passou pela cabeça que ela pudesse ser homossexual. Devido à sua mudança de comportamento, estava com muito medo que ela pudesse estar usando drogas. No momento da revelação choramos muito, eu a abracei e me coloquei ao lado dela, reafirmei meu imenso amor por ela, e me senti péssima por não ter desconfiado de nada antes e ajudado minha filha nesse conflito que estava vivendo sozinha desde os 12 anos. Sofri muito pensando na discriminação e no preconceito que ela iria sofrer ao longo da vida, mas decidi que estaria ao lado dela nessa luta, apoiando-a e tentando fazer alguma coisa em prol da aceitação. Para nossa grata surpresa meu marido recebeu a noticia com muita naturalidade, e também se colocou ao lado da filha. Lemos tudo sobre homossexualidade, pesquisamos, aprendemos, pois apesar de nunca termos sido preconceituosos, pouco sabíamos sobre o assunto. Ela optou por
viver de maneira aberta, quis que contássemos aos familiares e amigos,
nós concordamos e contamos para todos. Não gostaríamos
que nossa filha tivesse que viver escondida, viver uma vida de mentiras,
não, ela iria trilhar o seu caminho verdadeiro, sem disfarces. Essa
é a opção dela e a nossa também. Não
há vergonha, não há culpa, não há doença.
Para nós a homossexualidade é uma condição
natural, inata, uma característica individual dela assim como a
cor dos olhos, dos cabelos, da pele. Assim como a heterossexualidade da
nossa outra filha.
Hoje posso dizer que nossa relação familiar é muito melhor do que antes, é verdadeira, conversamos abertamente sobre tudo. Ela milita num grupo de lésbicas feministas e eu num grupo de pais e mães de homossexuais. Passamos por vários problemas relacionados a homofobia, situações pesadas mesmo, ameaças de morte à nossa filha, delegacia, advogados, barracos e mais barracos, mas em todos os momentos estivemos juntos, mostrando a nossa cara e dizendo: “Sim, ela é homossexual, nós a aceitamos e vamos brigar pelos direitos dela”. Ainda não
é fácil para a sociedade aceitar um/a homossexual vivendo
sua orientação sexual abertamente, freqüentando todos
os lugares. Não, para muitos os homossexuais devem ficar confinados
em guetos, o assunto não pode vir à tona num almoço
de família, e eles não podem dar bandeira. Eu não
penso assim.
tem 44 anos e é, mãe da E-jovem Thaís |
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Ana Maria Ribeiro
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