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AFaGHo
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Apoio
a Familiares e Grupos de Homossexuais
Dra. Ana Maria Ribeiro |
| O AFaGHo foi formado em Campinas, em 2002, como um suporte para pais e mães que são pegos de surpresa pela orientação sexual diversa do filho ou da filha. Através dessa coluna, a Dra. Ana Maria Ribeiro - ela própria mãe de um e-jovem - irá responder dúvidas sobre como esses pais podem lidar com seus filhos e vice-versa - como a galerinha e-jovem pode lidar com seus pais, para uma convivência sem obstáculos. O AFaGHo também promove reuniões de pais e familiares em Campinas e presta assessoria terapêutica individual e a grupos de homossexuais, como o Grupo E-jovem. Dúvidas, comentários e sugestões devem ser enviadas para afagho@e-jovem.com |
| E
brincam os deuses...
Nos anos 80 do século passado, um dos maiores cineastas do planeta criou um filme que se tornou um marco, visto por quase todo mundo e conhecido até por quem não assistiu. Falo de E.T. – O extra-terrestre. Que se tornou sinônimo de seres de outros planetas, a partir de então. O filme trata de amor. De como é possível se amar um ser diferente. Um ser que é feio, meio nojento, que não falava (pelo menos no início) nenhuma língua conhecida, com cultura distinta, origem bizarra e morador de outro planeta. Pois bem, este ser consegue ser amado por um menino, por sua família (irmãos e mãe), pelo seu perseguidor e por todos nós, bisbilhoteiros, que, de olho na tela, torcíamos para que aquela bicicleta voasse, compondo junto com a lua uma das fotos mentirosas mais bonitas e referendadas da Terra. No final do filme, já ninguém se importava com a aparência gosmenta da barriga do E.T., mas nos comovíamos com o girassol amarelo que voltava a viver e o dedinho de luz que curava. Todos pudemos amar um ser bizarro e estranho, com gostos peculiares (embora gostar de filmes antigos em preto e branco e cerveja, não demonstrasse ser tão estranho assim) e se alguém foi o “bandido” do filme, foram os cientistas, as autoridades, os normativos. Há pouco tempo tive uma conversa com uma profissional que afirmava ser sinal de maturidade infantil o obedecer às regras. Será? É sobre isso que gostaria de pontuar. As regras, as normas. Normal vem de norma, embora possa ser confundido com comum. O mais comum acaba sendo entendido como o NORMAL. O mais comum na sexualidade da sociedade
ocidental formada por seres humanos é a fêmea ficar e acasalar
com o macho da espécie. A finalidade é clara: novos seres
humanos. A natureza cuidando disso criou nos machos uma atração
pelas fêmeas. Nas fêmeas criou o gosto pelo desejo e
carinho dos machos. Assim os homens querem as mulheres e as mulheres querem
os homens que querem as mulheres.
Neste inicio de século, junto aos novos procedimentos para reprodução, mais forte se torna à reivindicação daqueles que tem orientação sexual diferenciada a ter permissão de casarem. Ficar juntos, não obstante à resistência de muitos, já ficam. Mas querem casamento, “na Igreja, com lua de mel e tudo.” Como diziam os heteros dos anos 70. Os preconceituosos gritam. Não querem permitir. Os das religiões cristãs também não! Entretanto, para surpresa de alguns desses setores, os que passaram a defender essas uniões são justamente aqueles que obedecem as regras, os heterossexuais. São os ‘normais”, os mais comuns, que começam a defender os direitos das pessoas ficarem juntas. Por amor ou solidão. Com quem quiserem. Desde as escolas até outros setores, vozes de heterossexuais defendendo os gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. Os GLBTT. Nós, os heterossexuais, passamos a dizer aos preconceituosos e discriminadores: PAREM COM ISSO! Afinal, os “diferentes” são nossos filhos, nossas filhas, nossos irmãos, nossas irmãs, nossos netos, nossas netas, nossos sobrinhos, nossos primos, nossos amigos... OS DEUSES BRINCAM? Dra.
Ana Maria Ribeiro
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