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 by Rapha

 
O Rapha não aguentou esperar a estréia da coluna dele e foi escrevendo! Então vocês já vão ter a chance de ler 3 colunas duma vez... Acompanhe!

Sábado, 10 de Novembro de 2001

Caro E-blog,

Estou em época de provas e passei a minha “maravilhosa” manhã fazendo prova de Química (dá pra imaginar coisa pior?). Quando acabamos, saímos da sala (eu e alguns amigos) pra reclamar da prova. Foi quando um garoto passou pela nossa frente usando uma daquelas bolsas masculinas presas no ombro e, logo em seguida, um dos meus amigos fez aquele famoso comentário: “Isso é coisa de viado!”. Tenho certeza que você já ouviu essa “preciosidade” pelo menos uma vez na sua vida.

Cansei desse tipo de comentário! Afinal, será que alguém pode me explicar o que é ser viado?? Aliás, ninguém precisa me explicar, não! Ser viado é possuir características ligadas ao estereótipo gay criado por essa sociedade machista e preconceituosa. Gostar de artes é coisa de viado, gostar de teatro é coisa de viado, pintar o cabelo é coisa de viado... O mesmo se aplica ao estereótipo criado para as lésbicas: toda lésbica é machona, grossa e baranga.

MAS QUE MERDA!

É como se todos os e-jovens fossem clones! A sociedade em si parece ignorar totalmente o fato de que todos nós somos diferentes , e que isso não depende da nossa orientação sexual. Isso se chama personalidade própria. Cada um tem o direito de agir e de se expressar do jeito que quiser. Se um fulano decide passar batom pra sair na rua, qual é o problema? Se uma fulana decide comprar uma Playboy na banca da esquina, e daí? Cada um na sua! É impossível generalizar o comportamento homossexual, simplesmente porque não existe homogeneidade! Será que isso é tão difícil de se entender?

O preconceito alheio é a única barreira que ainda me impede de “sair do armário”. Estou totalmente à vontade com a minha sexualidade, mas morro de medo da reação dos meus pais, amigos, parentes, professores... Por outro lado, não agüento mais viver uma vida dupla, sublimando a minha orientação sexual no mundo real e explorando-a somente no mundo virtual. Sou um adolescente, tenho 16 anos!! Quero “ficar”, namorar, amar, transar! Não quero ter que gritar “gostosa” toda vez que uma garota passar na minha frente!

E o pior é que não existem muitas alternativas para adolescentes gays e lésbicas se encontrarem. Todas as boates gays proíbem a entrada de menores de 18 anos, sendo que não existe matinê gay (pelo menos não aqui no Rio...). O jeito é conhecer outras pessoas pela internet, o que é muito pior e mais difícil. Ou fazemos isso ou acabamos arranjando identidades falsificadas, coisa que eu gostaria de evitar.

Pois é, meu caro Diário... Pelo jeito o Brasil não mudou muito sua posição em relação aos adolescentes homossexuais. A exclusão social continua mais do que evidente e ativa. E esse país ainda se diz moderno. Mas pra tudo se dá um jeito! Afinal, nenhuma barreira consegue conter um adolescente determinado a mudar seu futuro. Ou você acha que eu pretendo continuar “no armário” praticando o celibato até os 18 anos?

Ufa! Desabafei..............  

Rapha


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