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 do Dudu
 
 
O dia em que apareci no faustão

Correria, microfone na mão, a voz estrondosa de um dos mais famosos 
apresentadores televisivos do país, e então a música, era o KLB se 
despedindo. Nervosismo. Tremedeira. Lembro-me de como fui parar ali.

Estava eu em casa coçando meu nariz enquanto ignorava pessoas no MSN, quando de repente me aparece o Deco - sim, o dono desse site - perguntando se eu queria aparecer ao vivo no Faustão junto com a minha mãe pra falar sobre como eu me assumi e dar um recado legal pra galera que ainda estava dentro do armário. Primeiro eu recusei com todas as letras: sou professor de inglês em uma pequena cidade do Pará, e imaginava que ainda deveriam condenar à fogueira seus cidadãos que eventulmente se assumissem gays em rede internacional. Depois pensei melhor, e me lembrei que um dia o risco era o que mais me atraía nas coisas, e então percebi que esse espírito ainda morava dentro de mim. Foi aí que conversei com meus pais. No começo eles não gostaram nem um pouco da idéia, porque tinham medo do que poderia acontecer comigo se eu fosse pra lá, mas acabei conseguindo convencê-los, mostrando que, no fundo, a gente não tinha tantos motivos assim pra recusar a oportunidade.

Naquela semana mesmo, em meio a ligações de ninguém mais, ninguém menos, que Jairo Bouer, fiquei sabendo que eu e minha mãe gravaríamos uma entrevista aqui em casa pra que enviassem pro Rio e eles pudessem nos avaliar. Fiquei um pouco desconfiado, achando que talvez estivessem mudando de idéia quanto à minha aparição ao vivo, mas até que fazia sentido. Gravamos e aparentemente ficou bom, porque dois dias depois confirmaram a nossa participação no programa.

Na sexta eu já tinha os números das reservas dos aviões (três, ao total), e 
no sábado acordamos bem cedo pra começar a nossa longa viagem. E bota longa nisso, porque a gente começou a viajar umas sete da manhã, e só chegamos lá às dez da noite! Mas isso só aconteceu porque a conexão em Belém - que já era demorada - atrasou um bocado.

Chegando no Rio, pegamos a nossa mala e encontramos o tiozinhu com uma placa escrita "Faustão", hehe, era o motorista da Globo. O passeio até o hotel também foi bacana, porque a gente foi junto com a galera do "Se vira nos 30", e foi interessante começar a enxergar aqueles caras como pessoas de verdade, que vêm de tudo que é canto do Brasil só pra ter uma chance de melhorar de vida, ou então pra pagar mico mesmo.

O hotel à primeira vista era fantástico: uma fachada magnífica, de frente 
pra praia e localizado na Barra da Tijuca, que - fiquei sabendo - é o bairro 
dos cariocas milionários. Entramos, pedimos um quarto com vista para o mar, pegamos os cartões (chaves são coisas do passado) e subimos. O quarto também era ótimo, com quase tudo que a gente tinha direito - só senti falta daqueles kits de higiene que vêm em alguns hotéis caros, com barbeador, pasta de dente etc.

Rapidamente saquei o telefone e liguei prum amigo do Rio que não demorou a aparecer pra gente ir pra balada. Não vou falar muito sobre a noite porque no fim eu não beijei ninguém, mas teve uns momentos engraçados apesar de tudo. Destaque para o jeito que o namorado do meu amigo dirigia, como se fizesse parte do elenco do filme "60 segundos".

No domingo, um carro da Globo nos levou a um colégio eleitoral pra que 
pudéssemos justificar nosso voto, e pouco depois estávamos parados em frente ao Projac. Fomos de carrinho até o prédio do Domingão, e aí enrolamos lá até a hora do almoço, onde finalmente encontramos o Deco e obrigamos o coitado a se mudar pro nosso camarim. Artistas prum lado, artistas pro outro, e resolvemos fazer um tour básico pelos cenários das novelas, o que de fato rendeu umas boas fotos. Ao voltarmos, uma acessora nos levou para uma sala de espera atrás do estúdio, logo veio o Bruno Gagliasso, a gente conversou sobre barras de calça (???) e sem muita demora nos chamaram para a coxia.

Tremedeira novamente. A história perde o foco e o Kiko do KLB me dá dois 
tapinhas no ombro antes de patir. Era chegada a hora. O Faustão anuncia o 
Bruno, que faz um suspense básico e entra em meio à gritaria da mulherada, e em seguida entram os "reclames do plim-plim". Mandam a gente entrar, eu aceno para o público numa tentativa de esquecer o nervosismo, posicionam as poltronas e nos dizem aonde sentar. "Plim-plim" e estamos de volta, ao vivo para trinta milhões de pessoas... E você, assistiu?

Kid Dudu tem 19 anos e nunca mais vai poder entrar no armário.
E-mail/MSN: dudutk86@hotmail.com



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