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Confraria de Jesus Adolescente |
Nesta semana: |
| A Confraria de Jesus Adolescente é um grupo de E-jovens que resolveu discutir religião. Mais que isso, é um grupo de E-jovens que não aceita as falsidades e violências que são feitas diariamente em nome da Bíblia e resolveu lutar contra isso. |
| Páscoa
da Confraria
Pessoas, Pra quem é novato aqui (e pra uns velhinhos que esqueceram... hehe), é bom saber que a Páscoa é a grande data aqui pra Confraria de Jesus Adolescente. Afinal, foi na Páscoa que o Nosso Adolescente desafiou os anciões do Templo de Jerusalém e peitou as escrituras antigas - justamente como nós nos propusemos a fazer.
Minha proposta é que comecemos desde JÁ a bolar uma atividade/evento/celebração pra Páscoa desse ano - o que vocês acham?? (Na verdade, nossa data especial é 3 dias DEPOIS da Páscoa, quando Jesus Cristinho foi encontrado pregando no Templo, segundo Lucas 2:42-47) E aí, o que poderíamos fazer? Debate, encenação, celebração?? Entrem na lista e mandem sua idéia!! Deco :] P.S. Os que
ainda não fazem parte da Confraria, as portas estão abertas!!
Basta coloccar o mail ali do lado e participar!
Dar as costas à Igreja é solução?
Nesses
dias de papa Bento, de descrenças e fanatismos, de antigas profanações
e Inquisição Moderna, entre restaurações de
imagens de santos e malhações-de-judas-pontífices,
sempre há alguém que diz: "Para quê tantas manifestações
contra decretos papais, tanto falatório, tanto alarde, tanta indignação
à toa, se todos têm liberdade de acreditar no que bem quiser?
Basta dar as costas à Igreja, simplesmente ignorá-la sem
querer mudá-la; procurar algo melhor, como quem muda de estação
de rádio – e isso será até mais eficiente para a Igreja
“se tocar” de que está perdendo fiéis. Simples assim..."
Ora, a verdade é que não é nada "simples" para um terço dos católicos – precisamente os JOVENS. Com os E-jovens, então, a situação é ainda mais crítica. Onde está a "liberdade" de escolher seguir ou não as prescrições da Igreja, quando se está condicionado, pela dependência de pais e familiares, a seguir e obedecer a crença deles, mesmo quando fanática e opressiva? O que é deixado de liberdade "de consciência" e "de culto" para jovens que são desde cedo colocados à força ou sob persuasão numa catequese que se opõe às suas aspirações individuais? Para um indivíduo adulto e emancipado, é até fácil falar... Alguns se esqueceram de que um dia também foram jovens e sem liberdade. Se foram E-jovens, então, é difícil que se esqueçam... E mesmo quando
adultos e economicamente independentes, muitos indivíduos não
ficam necessariamente livres do condicionamento, quando carregam consigo
seqüelas do trato sofrido – neuroses, recalques emocionais ou mesmo
a herança admitida da opressão: tornando-se outros inflexíveis
fundamentalistas homofóbicos.
Sabe-se que alguns grupos reacionários seguem inflexíveis mesmo quando ficam com poucos adeptos. Assim, há o riso de o papa e os seus se valerem do dogma que diz que, naturalmente, "serão poucos os escolhidos" para entrar no Reino dos Céus – e os demais que se danem! Pode ser que não se abalem com o fato de as paradas gays costumarem contar com muito mais participantes do que eventos como a vinda do papa ao Brasil. (A já histórica parada de São Paulo de 2007 reuniu pelo menos 3 milhões de pessoas, o triplo do público que recentemente recepcionou o papa) E se as autoridades da Igreja acharem esse verdadeiro fracasso de público uma coisa muito normal? Para uma "massa de pecadores", certamente... Entre as causas da inegável dispersão dos fiéis, podemos citar as contradições da doutrina oficial. Verifica-se, por exemplo, que a ocorrência maior do aborto se dá justamente por causa do costume de não se usar camisinha com a freqüência devida, acima de todas as demais causas. Mas os moralistas querem que acreditemos que a culpa pelo contingente de abortos se deve à alegada "pansexualidade humana" (o mesmo que eles dizem da propagação da AIDS)! Mas esperam eles que o INSTINTO VITAL dos seres humanos se deixe refrear? Que fiquem todos abstêmios de sexo, mesmo os casados? Ora, das duas uma: ou que liberem a camisinha ou o aborto – mas proibir ambos simultaneamente me parece tão nonsense quanto liberar ambos simultaneamente. O que será mais ético, afinal: sacrificar espermatozóides ou embriões? Não parece claro ao Pontífice que se trata de um caso limite... Mas nada no universo impedirá as pessoas de transar! – sobretudo porque Deus quer que assim seja e já nos programou para isso. A loucura do conservadorismo, entretanto, tende a comprometer o próprio cristianismo, traindo-lhe os fundamentos libertários, ao restringir o que há de mais natural nos seres humanos. Logo percebemos, de tudo isso, que a questão que está em jogo é a SEXUALIDADE – a tônica das controvérsias e choques de opinião com a modernidade é precisamente essa. É o CENTRO dos conflitos na Igreja. (Sempre tem sido, poderíamos arriscar?) O QUE A PRÓPRIA Igreja não percebe é que, se o cristianismo primitivo dera tanta ênfase no combate aos impulsos sexuais, isso era devido ao momento histórico em que ele se estabelecia. Havia a necessidade de fazer frente aos excessos eróticos cometidos pelo paganismo romano, e daí todo aquele pudor extremo como um “diferencial” da comunidade. Claro que, com o passar do tempo, muitos dos que eram naturalmente homossexuais acabaram pagando o pato... Mas, nos dias de hoje, já somos esclarecidos e amadurecidos o bastante, como humanidade, para cometermos tais equívocos (os “efeitos colaterais” de uma transição entre os sistemas de pensamento). O momento atual da humanidade é a oportunidade de alcançarmos o equilíbrio natural da sexualidade, sem os extremos de ação-reação que sempre têm dividido a sociedade em grupos dicotomicamente conflitantes: pagão x cristão, proletário x burguês, escravo x senhor etc. E muitos teólogos cristãos já se deram conta dessa dinâmica histórica. Como um fato assim escapa a um pontífice? Como pode um papa dos tempos atuais considerar-se "infalível", se tantos dos seus antecessores, que também se diziam "infalíveis", cometeram erros flagrantes, até para suas épocas? É preciso ser muito ingênuo para acreditar que um papa seja incapaz de errar, por mais instruído que ele seja – afinal, toda essa "instrução" pode bem servir aos interesses de uma ideologia já decorrente de um erro de princípio (já apontado por nós na Carta ao Papa). "Conhecimento" e "Inteligência" só possuem valor qualitativo (como "Sabedoria") quando levam a bons fins ou partem de bons princípios. Até os nazistas e fascistas podem ser "inteligentes" e "bem-informados". Mas, o que fazem com essa habilidade toda, aí é outra história... O que seria de nós, como humanidade, se nos conformássemos com os dogmas vigentes, mesmo na insatisfação? Como haveria progresso, sem o desafio às autoridades? Se prestarmos bem atenção, veremos que todas as inovações que mais beneficiaram a humanidade, em todos os setores, foram feitas pelos ditos "hereges", "sacrílegos" ou "pagãos". Nada ou muito pouco foi feito pelos cristãos ortodoxos. Isso porque o próprio conceito de "conservador" é um empecilho a qualquer salto qualitativo para o bem-estar social. Qualquer ímpeto inovador e criativo solicita LIBERDADE como pré-requisito para sua manifestação. É claro que esse “progresso” não indica necessariamente uma guinada para o materialismo. Há toda uma espiritualidade emergente, um diálogo novo no âmbito da ética, um pensamento mais holístico, embasados na Moderna Ciência. Quê Ciência? A da Felicidade Humana Integral. Integração total entre corpo e espírito, sem essa idéia assassina e deprimente de que os dois precisam lutar um contra o outro! O cristianismo
primitivo, tanto quanto suas posteriores "versões", pertencem sempre
a um contexto histórico mutável – já que a mudança
é uma lei suprema do universo. E o novo contexto será, agora,
para nós, o apaziguamento das lutas inúteis travadas na antigüidade,
e o auto-preparo para as lutas da modernidade.
Assim, a felicidade dos indivíduos homossexuais é um avanço considerável na conquista da felicidade geral da humanidade. O progresso é um anseio coletivo, um anseio que parte da liberdade para realizar-se na liberdade. A religião do futuro (e para que tenha um futuro) precisará abrir mão do conhecimento e abrir-se para o NOVO. O que seria do próprio progresso (presumível) da Igreja e da espiritualidade humana como um todo, se não fosse o clamor popular por RENOVAÇÃO? Tibério
Lobo
Mais da Confraria: -
Carta do GRUPO E-JOVEM ao papa Bento XVI
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