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| de Diley |
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Encontros
da internet
Encontrar pessoas da internet é o tipo de coisa que ou todo mundo já fez, ou todo mundo um dia fará e não adianta cuspir pra cima. Já fiz isso, sempre com uma pitada de receio (ok, o receio sempre foi enorme), mas foi o próprio receio que gerou um pouco de medo, que por sua vez trouxe certa dose de adrenalina. E tudo me levou a essa louca aventura. Ao todo, até hoje, fiz isso três vezes, e a grande maioria (duas vezes) foi um enorme desastre. Jamais considerei um equívoco ou um arrependimento. Sempre achei tudo um simples e engraçado desastre. Trocar scraps no orkut, e conversar no MSN, resultam em uma vontade de conhecer a pessoa: ‘vai que ela é a minha alma-gêmea, não é? O destino é coisa louca.’. Ledo engano. É super fácil parecer legal, lindo, interessante, carismático, romântico e ter um papo na impessoalidade da internet, já quando transportamos tudo isso para o real as coisas são um pouco diferentes. Talvez a culpa seja da ansiedade e do esperar que X, Y e Z coisas aconteçam, quando na verdade acontecem A, B e C coisas, e a partir daí a mascara da pessoa ideal e bacana cai. Não quero e nem posso afirmar
que encontros de internet são sempre ruins ou desastrosos, tampouco
acabar com as fantasias das pessoas que acham que podem encontrar na net
o seu par ideal. Até porque como fiz questão de mostrar em
números, dois terços dos meus encontros resultaram em um
simples e engraçado desastre, porém um
Devo frisar que o guri que participou dessa experiência correta e boa, já era meu ‘conhecido de vista’, mas nosso primeiro contato foi na impessoalidade do orkut. Confesso que até hoje as coisas
ainda são muito prazerosas entre mim e o guri-do-encontro-perfeito,
e se não fosse a pitada de receio, seguida do medo e da adrenalina
de se querer transportar para o real as experiências impessoais da
internet, não teria tido tal experiência e quiçá
pensar em desastres engraçados.
Menino do Busão Quando eu estava com 17 anos, todo santo dia tinha que pegar um bendito ônibus pra ir pro estágio durante a manhã. Já tinha lido e relido vários contos sobre as sacanagens que rolam dentro de um simples coletivo, e sempre achei tudo fantasioso demais, mas o que tenho pra contar sobre o ônibus não é erótico, como verão. Quando se tem uma rotina de fazer as mesmas coisas, todos os dias, você inevitavelmente 'conhece' as pessoas que também seguem e mesma rotina. E uma dessas pessoas sempre me chamou a atenção, um rapaz aparentemente da minha idade, de farda de colégio, magro, alto, branco, cabelo liso, olhos verdes... costumava chamá-lo e reconhecê-lo por anjo, as vezes sentia uma vontade de falar um simples Bom dia, mas a vontade dizia pra cabeça vai, a cabeça dizia pra boca vou, e a boca respondia vou nada, logo nunca troquei um oi com aquela criatura, tirando os olhares. E terminou que nunca mais vi o tal garoto, até que numa bela tarde ensolarada, entro no meu orkut e vejo um visitante recente que não conheço, vou ver e deixo um cordial recado. No outro dia, recebo uma resposta e depois de uns dias trocamos MSN, e lá vejo o fotolog dele e conversamos durante horas, eu olhava aquelas fotos e minha memória queria reconhecer aquele rosto, cheguei a confundir com o de um outro amigo do passado. Até que semana passada, voltei aquela mesma parada de ônibus, e de repente ouvi um estalo! Era minha memória lembrando que o guri que converso por MSN e orkut era o tal menino anjo que via e revia todo santo dia. Achei engraçado na hora. Contei pra ele toda história, e ele não me reconheceu, mas eu o reconheci e chegamos a conclusão de que era realmente ele. Confesso que se arrependimento matasse, estaria morto. Já conversamos coisas banais, e descubro via MSN que ele é BI, assim como eu (sem trocadilhos). É deste fato que vem todo o remorso de não ter dito um simples OI. Eu confessei pra ele que também sou, e morremos de rir, contamos segredos e fotos sensuais (ui!). E o mais legal, aquele menino-deus que uma vez no passado desejei, e que poderia ter tido algum contato cordial, me deu uma espécie de carta branca, ou seja, o momento que eu me sentir mais a vontade pra ficar com ele é só avisar, que iremos nos encontrar e ver no que isso pode dar. Já estou armando algo bem bacana pra caso resolva aceitar essa proposta, mas fico pensando no que teria acontecido se minha bendita boca tivesse dito vou sim pra minha cabeça, acho que sem a ajuda do acaso, teria perdido uma chance de ter um amigo e quem sabe algo mais. Diley
Rodrigues
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