Colunistas: Márcio



Saindo do Armário I



    Olá! Para os que não me conhecem, meu nome é Marcio, tenho 19 anos e me considero bissexual. Faço parte do E-jovem desde  agosto de 2004 e do E-curitiba desde de 19 de setembro do mesmo ano.

    Quando pensei em escrever esta coluna, queria mostrar como é se assumir para a família, as coisas que passamos, ouvimos, sofremos, mas também a esperança que mantemos, e o belo futuro que no espera.

    Na verdade isto aqui vai ser como um diário, uma autobiografia, pois minha vida, minhas expêriencias ficaram aqui expostas. E espero que tudo isso possa ajudar jovens como eu.

Vamos aos fatos.

    Venho de uma família muito tradicional e conservadora, do interior do Rio Grande do Sul, onde qualquer tipo de manifestação Gay sempre foi duramente reprimida e criticada. Uma família com inúmeras histórias de machismo e hombridade, onde os “machos” sempre foram conhecidos por mulherengos e valentes.

    Mas eu sempre fui diferente, desde de sempre senti atração por homens, mas devido a posição familiar sempre reprimi esse meu eu. Sempre me senti culpado pelo que sentia, até agosto de 2004, quando conheci o E-jovem, que me mostrou que ser gay não é errado e nem deve ser punido. Assim como muitos e-jovens, eu também já tentei suicídio, felizmente sem sucesso. Amigos como os que tenho hoje me mostraram que a vida vale a pena.

Então a partir de setembro do ano passado comecei a viver. Comecei a me conhecer e me aceitar como sou.

    No final de janeiro de 2005, minha mãe achou algumas fotos que eu havia tirado com amigos. Fotos carinhosas apenas, sem nada além disso. Porém minha mãe ligou isso a outros fatos e tirou conclusões. Então numa terça-feira, 25 de janeiro, minha mão me perguntou se eu tinha algo a dizer a ela, e eu não aguentando mais mentir que não, contei que também gosto de meninos. Foi assim que todo o drama, toda a novela começou. Na hora não conseguimos conversar direito, aliás até agora não conseguimos, mas naquele momento ela ficou descontrolada, dizendo que eu, seu único filho homem, não fui criado pra isso, que isso não existe, que era coisa da minha cabeça.

    Como vi que não adiantaria argumentar, desisti e fui dormir. No outro dia como de costume fui trabalhar e quando voltei minha mãe havia contado tudo para minhas irmãs, uma de 23 anos e a outra de 25. Assim como minha mãe as duas disseram que era coisa da minha cabeça, ou então influência de amigos, vê se pode, mas tudo bem.

    A Michele é Psicopedagoga, então falou com uma colega dela, psicologa, para que conversasse comigo. Até a psicóloga disse que pelo que me conhecia eu não era gay. Para contentar a todas fui conversar com ela. Por ela ser muito próxima à família não quis pegar “o meu caso”, então indicou um colega dela.

    Uma coisa bastante relevante é que em todo esse processo sempre tive o apoio dos meus amigos, porque sem eles não conseguiria sobreviver a tudo isso.

12/10/2005

Márcio tem 20 anos,
nasceu no Rio Grande do Sul, e é o coordenador de comunicação
do e-Curitib@.