A distância que nós mantemos
“ Somos tantos juntos, mas estamos todos morrendo de
solidão".
Dr. Albert Schweitzer
Para nós, que moramos
aqui em Curitiba, é muito comum ouvir de pessoas que vem visitar
ou morar aqui em nossa cidade, que os Curitibanos são fechados, reservados,
convencidos e etc...
Sim somos pessoas reservadas, procuramos
cada qual, cuidar de seus próprios afazeres, mas isto é
uma questão de cultura, cada lugar tem uma cultura diferente, isto
que dá o charme, o encanto do local. Então resolvi escrever
este artigo para vocês perceberem que nós não
somos os únicos a manter distância, são situações
que acontece em todas as capitais com menos ou mais intensidade.
Considere nosso estilo de vida,
como nós protegemos contra invasões pessoais indesejadas.
Muitos de nós moramos em apartamentos situados em andares elevados,
onde encontramos os vizinhos uma vez por mês, no saguão ou
no corredor. Outros residem em casas cercadas por muros altos e sistemas
de segurança. Temos números
de telefone particulares e cães de guarda no quintal. Eliminamos
conscientemente a possibilidade de qualquer encontro desagradável,
mas também acabamos sacrificando muitos encontros que poderiam ser
agradáveis.
Passamos horas presos no trânsito.
Isolados. Falamos com computadores. Não vamos ver as pessoas, enviamos
fax.
As compras por internet substituíram
a ida ao mercado. Os jantares diante da tevê substituíram
os jantares em família. Isso quando não comemos direto na
frente da geladeira.
Quando vamos a lugares públicos,
mantemos olhares vagos. Olhares vagos são o equipamento padrão
para manter a distância dos outros, no elevador, no metrô e no
supermercado. O olhar vago diz: “ Não conheço você, não
há nada se passando na minha mente e não fale comigo porque
você se tornaria um incômodo para mim”.
Nós assistimos algumas horas
de tevê por dia. Sozinhos. Não importa que haja outras
pessoas na sala, nossa preocupação é com a tevê.
Tudo isso é ruim? Não.
Não é necessariamente ruim. Vivemos em uma época excitante
(e muito conveniente), mas precisamos entender o que esta acontecendo. Há
pressões enormes, nos afastando das pessoas. Se você quiser
ter um contato pessoal hoje em dia, tem de se esforçar para isso.
Uma vida plena é
uma experiência compartilhada. Nossas maiores alegrias, nossos
momentos mais preciosos, nossos desafios mais difíceis e nossas épocas
mais amorosas são, em sua maioria, compartilhados com pessoas.
Nossas maiores experiências
de aprendizado advêm de quando estamos com outras pessoas.
Para ter uma estada memorável neste planeta,
devemos estar preparados para derrubar algumas barreiras, fazendo um esforço
especial para encontrar, se aproximar e estar com as pessoas.
È possível ouvir um
amigo dizer coisas do tipo: “Não passo muito tempo com meu namorado,
o que compartilho com ele é uma QUALIDADE de tempo”.
Qualidade de tempo tem de ser quantidade
de tempo! Se seu namorado, querer que você o acompanhe em um
café, ou que você o que leve para passear, ou apenas para ver
você, não pode dizer: “Vamos ter dois minutos de caminhada
de qualidade”, ou “Vamos nos ver durante cinqüenta e oito segundos
com qualidade”. Só será uma coisa de qualidade se vocês
fizerem tudo do começo ao fim, Não vamos nos iludir.
Precisamos nos preocupar em passar mais tempo
com as pessoas, e tornar isso uma prioridade. Ainda que a maré da
tecnologia sempre nos empurre na direção oposta.
Deixe de brincadeira!
Ninguém pode fazer tudo sozinho,
embora às vezes tentamos nos enganar achando que isso é possível.
Fingimos que somos capazes de fazer tudo sozinhos.
Mas não há recompensas ao se passar toda
uma vida com brincadeiras, dizendo coisas do tipo “ Estou bem. Não
preciso de ninguém.”
Como é vergonhoso quando o orgulho se
intromete na história. Sabe, você sai para night, com seus
amigos, conhece um carinha, vocês ficam naquela noite, trocam telefones,
você fica pensando nele a semana toda, e um certo dia você
chega em casa, depois de um dia atarefado e diz: “ Eu até poderia
ligar para ele, mas não quero que ele pense que eu gosto dele!”.
Nesta mesma hora, é quase 99,9%
o carinha deve estar pensando... Fiquei louco por aquele carinha de sábado
a noite, mas nunca direi isto a ele. E eles passam fins de semana sozinhos,
orgulhosos e sozinhos.
Não há vergonha em
considerar a outra pessoa atraente ou uma boa companhia. Mesmo que a pessoa
não goste de você, continua não havendo motivo para
haver embaraço nisso. Se você gostar das pessoas e elas não
gostarem de você, tudo bem. Não tem de obriga-las a gostar
de você primeiro ou a lhe dizer isso primeiro. Não tem de
esperar para ver se elas retribuem sua estima. Pode simplesmente anunciar
“ Ei, eu te considero uma pessoa fantástica. Independentemente do
que você pensa ao meu respeito, isso é o que eu penso de você”.
A alegria na vida advém da
liberdade de nos expressarmos, de corrermos riscos e defendermos aquilo que
acreditamos. Nem todo mundo vai gostar de você, mas você pode
gostar de quem você é.
Nosso amiguinho “ Junior” passa a
semana inteira ansioso para ver seu namorado. No sexta-feira ele faz aquela
limpeza de pele, e Sábado a noite “capricha no modelão”, passa
sua deliciosa loção pós- barba, coloca aquele perfume,
enfim ele sai “ vestido pra matar”, depois de atravessar a cidade, bate
a porta do namorado e diz:” Oi! Eu estava passando aqui por perto...”
Que droga Junior, conte a verdade a ele!
Diga “ Estou esperando por isso há uma semana e o tempo parecia
não passar. Estava morrendo de vontade de vê-lo. Fiquei tão
feliz com a oportunidade de vê-lo que vim cantando músicas
românticas durante todo o caminho”. Diga que quase telefonou para
ele em vinte ocasiões diferentes, mas ficou com receio de que ele
o achasse bobo.
Esse tipo de sinceridade requer um
pouco de coragem e é parte do esforço para você se tornar
completamente humano. Ser sinceros nos permite ver dentro de nós
mesmos. Cria nossos relacionamentos e reacende os antigos.
Você pode perguntar: “ Mas
não devo bancar o difícil?”. Bem essa é uma maneira
de proceder, mas há métodos melhores de travar contato com
as pessoas, como ser você mesmo, ou ser agradavelmente sincero.
Uma música conhecida diz:
“ As pessoas que precisam de pessoas são as mais sortudas do mundo”.
Mas também deveria dizer que “ As pessoas que precisam de outras
pessoas e fingem o contrário são as maiores perdedoras”.