Colunistas: Stefan


Efeminados

 


Antes de ter me descoberto homossexual, sempre tive uma imagem sobre o mundo gay igual àquela passada pela mídia: que todos os gays eram
efeminados, fúteis e promíscuos. Foi só quando realmente me aceitei e comecei a conhecer outros como eu, que descobri a variedade que engloba
nosso mundo. Notei que você não precisa seguir um clichê para ser um homossexual bem resolvido, basta ser você mesmo.
    Descobri a alegria, as tristezas e as dificuldades que infelizmente ainda nos são impostas e que acabam por nos afetar mais do que imaginamos. A
maioria dos heterossexuais têm dificuldade em perceber que a sexualidade não é igual ao gênero, o que criou os famosos preconceitos: gay = bicha;
lésbica = sapatão. Para os héteros pouco importa com quem você está se deitando, o que não desce é o fato de você "agir como o sexo oposto",
aí que mora o preconceito, medo da maioria dos pais e familiares. Foi veiculado à isso uma imagem tão negativa que até mesmo entre os homossexuais,
ridiculamente, continua sendo um tabu.    Uma coisa é você não sentir atração por alguém que tenha características do mesmo sexo, outra é reprimir isso como se não fosse parte de sua própria identidade, pois como já citei aqui,  temos que seguir àquilo que acreditamos, ninguém pode escolher como gosta de agir, escolhe apenas se escuta sua voz interior ou continua botando mascaras para se enquandrar nos padrões da sociedade. Gostando ou não são os efeminados que mais
caracterizam os gays, eles revolucionaram e tiraram a homossexualidade do anonimato nas décadas de 70 e 80, através da moda, música e filmes que
aos poucos ganharam a simpatia do mundo. Muita gente pensa que a causa do preconceito está no modo de agir dos afeminados, mas porque temos que agir
que nem os heteros? Não faz sentido lutarmos contra a discriminação quando nós mesmos a praticamos e contra nosso próprio time, não é tentando abafar
isso que vamos vencer o preconceito, temos que abrir nossas mentes, é preciso que aceitem não só nossa sexualidade como também a variedade de gênero,
e que se entenda isso não como opção, mas sim, condição.
                    
Stefan