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Folhas de Diário
Leia aqui o conto de uma brasileira que ganhou o quarto lugar no 1º concurso de contos infantis com temática gay do mundo, realizado na Alemanha.
05 de agostoRiram de mim hoje na escola. Até a professora. Pegaram minha pasta, rasgaram meus papéis de carta, disseram que era coisa de menina. Eu não sou menina, mas eu gosto de papéis de carta e de desenhar flores no caderno. Por que eu não posso gostar de trocar papéis e de desenhar flores e corações? Minha mãe tem um livro em casa só com quadros de pintores famosos, e eles também pintavam flores, muitas flores. E eu já reparei que em um dos papéis de carta mais lindos que tenho a assinatura embaixo do desenho de um urso fofo e amarelinho, a do desenhista, era de homem. Se me odeiam só por isso, o que fariam se soubessem que eu gostava do Carlos, que saiu do colégio ano passado? Eu não sei como nem por que, mas de repente eu já não conseguia mais deixar de pensar nele, de querem protegê-lo, abraçá-lo, conversar com ele o dia todo... Talvez eu devesse agir como todos os outros meninos e aprender sentir o que eles sentem. Mas, eu não sei como fazer isso! 06 de agosto
Contei pra mamãe o que houve na escola e ela foi comigo hoje de manhã falar com a professora. Fiquei sentado em um banco distante, mas consegui escutar quase tudo. Minha mãe falou que era um desrespeito o que fizeram comigo e perguntou como a professora podia ter deixado aquilo acontecer sem repreender os alunos. A professora disse que eu tinha problemas e que precisava ir a um psicólogo. Minha mãe disse que quem tinha problemas era o aluno que rasgou os meus papéis pois ele se comportou como um selvagem. A professora ficou quieta. Daí minha mãe falou que eu nunca havia criado confusão na escola e que minhas notas sempre foram boas e que se eles não me respeitassem ela iria procurar um advogado e processá-los. Então chamaram a diretora e ela pediu desculpas à mamãe. E depois a professora pediu desculpas pra mim na frente de todos em nome da sala, e colocou o menino que rasgou meus papéis de carta de castigo. As minhas amigas comemoraram e até um menino que estava rindo de mim ontem veio se desculpar. Puxa, hoje o dia foi perfeito! 07 de agosto
Meu pai veio conversar comigo. Acho que aquela conversa que todos os pais
têm um dia com os filhos, pelo menos nos seriados da tevê. Sobre
sexo. Ele começou dizendo que eu ainda era novo, mas logo ia sentir vontade de namorar alguém e que eu precisava ter muita responsabilidade, ser consciente... e falou sobre camisinha e Aids, as mesmas coisas que eu já estou cansado de ouvir na escola. E me deu também um livro, “Perguntas e respostas sobre sexualidade para adolescentes”, que eu vou ler de noite. Mas eu sabia que tudo isso era só o começo de uma conversa ainda mais complicada, embora eu estivesse calmo e ele parecesse estar também. Perguntou se eu já tinha gostado de alguém. Eu disse que sim. Perguntou se era de um garoto ou uma garota. Eu disse que era do Carlos, mas que ele nunca soube de nada. Então ele falou que para ele tanto fazia se no futuro eu me relacionasse com pessoas do sexo masculino ou feminino, desde que eu estivesse preparado e me cuidasse, mas que muita gente não via as coisas assim e talvez me maltratasse, como fizeram os meus colegas, mas que eu nunca deveria aceitar isso e nem dar atenção a piadas e brincadeiras de mau-gosto sobre o meu jeito de ser. Daí eu falei pra ele que o Marquinhos, que é o menino mais gordo da escola, e o Cássio, que é o mais magrelo e a Ana, que tem sardas no rosto, sempre têm que agüentar muitas piadas dos colegas por serem assim, meio diferentes da maioria. E meu
pai falou que era justamente isso, as pessoas não entendem ou
têm medo de quem é diferente delas e por este motivo fazem
estas coisas. Mas que nada disso diminuía o valor nem do Marcos,
nem do Cássio, nem da Ana. Ele falou que muita gente diz que os homossexuais não respeitam Deus porque Ele fez o corpo do homem pra encaixar-se só com o da mulher e vice-versa, mas que isso não é justificativa, porque se a gente tivesse que usar nosso corpo só do jeito como ele foi feito então ninguém deveria usar roupas pra se proteger do frio, por exemplo, afinal todo mundo nasceu pelado, e nem deveria tomar vacinas pra se proteger de doenças, se nosso próprio corpo não é capaz de produzir sozinho a cura para elas... Disse também que se uma pessoa cumpre seus deveres e não prejudica os outros, ninguém tem direito a se intrometer em sua vida e em sua privacidade. Depois ele me deu um abraço e falou que só queria que eu fosse muito feliz! 09 de agosto
Confesso. Eu menti. Escrevi um monte de mentiras aqui. Só o que
aconteceu no dia 05 de agosto é verdade, o resto fui eu que inventei.
A verdade é que contei pra mamãe o que tinha acontecido na
escola mas ela nem se importou. Na hora do jantar meu pai viu meu caderno
e me deu um tapa no rosto que está ardendo até agora, e falou
que tinha vergonha de mim. . Eu só acho que do outro jeito, o que eu inventei, o meu diário ficaria mais bonito. Ah... E a minha vida também. ... Se quiser conhecer outros contos ganhadores do concurso entre no site http://www.inversa.org/ganadores.php. |
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20/10/05Apenas uma Garotinha : A história de Cássia Eller
Livro revela história e segredos da cantora Cássia Eller Aparece em ritmo de thriller o livro "Apenas uma Garotinha - A História de Cássia Eller". Em seu primeiro capítulo, uma narrativa tensa deixa à vista os problemáticos últimos momentos da cantora, que morreu às 19h05 do dia 29 de dezembro de 2001, aos 39 anos. Não apenas após o fim trágico e precoce da carreira da carioca Cássia Rejane Eller, vítima de quatro paradas cardiorrespiratórias após sofrer fortes crises nervosa e depressiva, mas também durante sua vida, a cantora era tida por fãs e imprensa como agressiva, de personalidade forte. É essa imagem que cai por terra com o trabalho dos jornalistas Eduardo Belo e Ana Cláudia Landi.
"Eu não conhecia a Cássia e também tinha uma visão de que ela era extrovertida, que gostava de cuspir no palco. Mas ela não era assim, era muito tímida", conta Belo, 40. "Ela tinha até dificuldades para se relacionar com outras pessoas. Quando subia no palco, se transformava." Folha de S. Paulo "Apenas uma Garotinha" chega hoje às livrarias. No final do ano, outra obra sobre um nome da música brasileira, também pela editora Planeta, ganha o mercado: uma gigantesca análise da trajetória artística de Roberto Carlos feita pelo historiador Paulo César de Araújo, que escreveu o obrigatório "Eu Não Sou Cachorro, Não". A vida de Cássia Eller foi exposta após sua morte. Havia usado drogas, mas passou por tratamento de desintoxicação. Sua companheira de mais de 14 anos, Maria Eugênia Martins, e o pai da cantora, Altair Eller, lutaram na Justiça pela guarda de Chicão, filho de Cássia que, na época de sua morte, tinha oito anos. Após acordo, o menino ficou com Eugênia. Desde setembro de 2003, Eduardo Belo e Ana Cláudia Landi realizaram mais de 50 entrevistas --dez das fontes preferiram permanecer anônimas. Da família de Cássia, duas de suas irmãs --ela tinha ainda um irmão-- e alguns integrantes da banda que a acompanhava não quiseram falar. "Tivemos uma longa negociação com Maria Eugênia e com o empresário da Cássia, Ronaldo Villas. A única restrição foi em relação à privacidade do Chicão", diz Belo. "Esta não é uma obra sensacionalista, apenas reveladora." Nascida no Rio, Cássia Eller descobriu a homossexualidade com pouco mais de dez anos. Incomodada, a família mudou-se para Brasília. "Sua infância foi difícil, devido às mudanças de endereço, de doenças", conta o autor. "Ela era travessa, gostava de jogar futebol e andar de carrinho de rolimã. Com dois anos ganhou um rádio da mãe. A vida dela sempre girou em torno da música."
Ainda adolescente, Cássia passou a se apresentar em bares de Brasília. Freqüentava rodas de atores e fez teste para participar de um musical de Oswaldo Montenegro, "Veja Você Brasília" --depois batizado como "Cristal". "Ali chegou à conclusão de que era isso que queria e passou a se apresentar profissionalmente." Lançou o primeiro álbum, homônimo, em 1990. Vieram discos ao vivo, parcerias com Nando Reis e, em 2001, estrelou o ultradiluidor "Acústico MTV". "A Cássia estava no auge. Não que tenha sido decisivo para sua morte, mas ela ficava incomodada com o sucesso, pois jamais se considerou merecedora desse assédio", afirma Belo. E o assédio continua. Fonte: Folha de S. Paulo Autores: Eduardo Belo e Ana Cláudia Landi Editora: Planeta 296 págs. |
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23/10/05O
3º travesseiro
Durante a adolescência, dois amigos descobrem-se apaixonados e têm de enfrentar os pais, as famílias, os colegas de escola e toda a sociedade conservadora para poderem viver seu amor plenamente, sem hipocrisia ou culpa. Até que aparece o
terceiro
vértice do triângulo... uma garota que em princípio
tumultuará a relação, mas depois ajudará
a torná-la mais excitante. Uma narrativa que surpreende pela verdade dos fatos e pela abordagem
de assuntos rondados pelo preconceito - o homossexualismo e o bissexualismo
- e outros temas que sempre fizeram parte da literatura universal -
o amor incondicional entre jovens, a não-aceitação
dos pais, a morte prematura - de uma maneira ora doce, ora picante, porém
sempre forte e emocionante. Autor: CARVALHO, NELSON LUIZ DE 216 págs. Editora: ARX |