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Transexual livra-se de testículo e inicia campanha para cirurgia


    A transexual curitibana Maite Schneider (33 anos), teve seus testiculos retirados numa clinica clandestina no Paraguai e começa uma campanha nacional, com a criação de um site, onde recebe doações de pessoas que queiram ajudá-la em sua cirurgia final de readequação genital.
 
    Segundo Maitê, ela mesma iria fazer a cirurgia em sua casa. "Eu pesquisei na Internet a melhor forma de retirar este tormento em minha vida, comprei bisturi, fios de sutura, anestesias e gazes. Estava decidida a fazer tudo sozinha, pois não aguentava mais carregar este atributo masculino que tantas infelicidades e amarguras acarreta em minha vida." - afirma Maitê.
 
    Foi através de uma amiga, que Maitê conseguiu o endereço de uma clinica clandestina no Paraguai, que não cobrava para realizar a cirurgia. "Era um lugar limpo e haviam diplomas na parede. A cirurgia demorou quase 8 horas e cheguei a sofrer dois desmaios.
Foi aplicada somente anestesia local para que eu mantivesse a consciência e pudesse ir guiando o realizador da cirurgia. Foi uma das piores dores de minha vida. Em compensação, ao terminar a cirurgia, parecia que eu estava uns 20 quilos mais leve. Aqueles testículos pareciam grilhões que me colocavam sempre para baixo e em depressão." - diz Maitê.
 
    Infelizmente, devido ao erro durante a cirurgia, e falta de acompanhamento profissional, a transexual começou a ter infecção generalizada que espalhou-se rapidamente por todo o corpo. A bolsa escrotal parecia estar com elefantíase e que iria explodir. Foram meses para conseguir me curar das bactérias que tomaram conta do meu corpo, bem como punções e novas intervenções
cirúrgicas e colocações de novos drenos.
 
    Segundo Maitê, ela fez tudo isto por desespero e por não ter nenhuma perpectiva de apoio médico, financeiro e nem da saúde pública. Por mais de uma vez, Maitê já tentou o suicídio, mas sempre teve seu objetivo fracassado. "Tentei várias vezes tentar mudar minha cabeça. Eu nunca soube porque nasci assim, acontece que não foi escolha minha. Minha mente sempre foi de mulher. Nunca quis ser mulher. Simplesmente sou, mas a natureza deu-me um corpo errado. Todas as pessoas têm algo em si que não gostam, mas no meu caso, não é somente uma coisa. Eu queria poder virar do aveso. Minhas tentativas de suicídio foram motivadas por este motivo: querer nascer novamente e de maneira harmoniosa. É um sofrimento terrível" - conclue Maitê.
 

    Maitê começou no dia de Natal uma campanha para conseguir sua cirurgia de adequação genital final e precisa arrecadar o valor de dez mil reais para estar mais perto de quem sempre foi em sua mente. Até agora a campanha, que conta com a colaboração voluntária de amigos e pessoas sensíveis à situação de Maitê, já arrecadou quase 2 mil reais.

    Você pode ajudar e saber mais
sobre a campanha de Maitê, indo no site que foi criado para esta finalidade e que fica em http://www.formigueiro.casadamaite.com
 
    O site também propõe ajuda pra apoiar outras pessoas que passam por situações semelhantes, bem como tem um espaço para que as transexuais possam estar cadastrando seus curriculos e procurando empregos. Empresas que não discriminam e estão abertas à inclusão da diversidade, também tem espaço no site que Maitê acabou de criar.
 
                                    Maiores informações:
 
                                    Maite Schneider
                                    maite1@uol.com.br
                                    (41) 3234 11 53
                                    (41) 9231 97 93

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Concedida a adoção de dois meninos a duas mulheres gaúchas que são homossexuais conviventes



        O juiz da Vara da Infância e da Juventude de Bagé, Marcos Danilo Edon Franco, concedeu o registro de adoção de duas crianças (irmãos), a duas mulheres conviventes homossexuais. Dois meninos, um de 2 anos e outro de 3 anos, foram adotados, por sentença, por duas mulheres - de instrução superior - conviventes em união estável há mais de sete anos. Uma delas já era responsável pela criação desde o nascimento dos irmãos.

        A mãe das crianças está grávida pela terceira vez e já procurou as duas mulheres, disposta a doar também o futuro bebê. O magistrado argumenta que *"a sociedade não pode ignorar a relação entre pessoas do mesmo sexo", *que ele qualifica como *"um determinismo biológico, e não uma mera opção sexual".

        O juiz enfatiza que "o homossexualismo não afeta o caráter nem a personalidade de ninguém".

        Explica que, ao conceder a adoção, considerou a excelente criação e ambiente de afeto em que vivem as crianças, satisfazendo todos os requisitos que muitas vezes não estão presentes nos lares de casais "considerados normais pela sociedade".

        O juiz bageense admite que vai enfrentar algumas reações, mas lembra que as famílias formadas por homossexuais também devem ser reconhecidas.

        O Ministério Público - cujo promotor local é contrário à adoção de crianças por homossexuais - já interpôs recurso de apelação. A questão será examinada, oportunamente, pela 7ª ou 8ª Câmaras Cíveis do TJRS.

        Tal, segundo o juiz de primeiro grau, serve para ampliar a discussão sobre a matéria. No caso de adoção em Bagé, estão assegurados aos menores todos os direitos como dependentes das responsáveis. Para o magistrado, a possibilidade de a convivência dos meninos com homossexuais poder influir na opção sexual deles está descartada. Argumenta que "se isso fosse verdadeiro, não existiriam pessoas homossexuais em famílias constituídas por heterossexuais".

        O juiz Marcos Danilo já havia concedido várias adoções para pessoas homossexuais, individualmente. Mas essa foi a primeira para duas conviventes do mesmo sexo. Ele acredita que sua decisão possa estimular novas adoções por parte de outros conviventes, em casos como esse. (Na forma do artigo nº 155 do CPC, o processo tramita em segredo de Justiça).

Data: 11.11.2005 - Extraído do site www.espacovital.com.br *

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