Caio 
 

lá, pessoal do E-Jovem!

Eu tenho 16 anos e moro numa cidade não muito grande, nem tão diminuta, no 
interior de um estado brasileiro. Sempre tive uma vida boa - tudo o que uma pessoa jovem necessita (moradia, educação, lazer) nunca me faltou e minha 
família certamente me dá um conforto psicológio consideravelmente bom. Só que desde muito pequeno sinto dentro de mim um profundo vazio que não sabia 
explicar até pouco tempo atrás. 

Numa determinada fase da minha vida (não faz muito tempo) descobri que estava começando a sentir-me atraído por outros garotos (algo que sinto desde criança, mas que se intensificou no começo de minha adolescência). 

Foi quando, com muito tristeza, percebi que isso era algo inaceitável a pessoas ditas normais. Era abominável sentir-me atraído por homens. Futuramente descobri que até o Deus da Bíblia condenava (demorei a descobrir isso pois meus pais não são religiosos, não tenho nenhuma crença doutrinária - nem sou batizado! - e, portanto, meu contato com o material de qualquer religião sempre foi muito pequeno) todo e qualquer tipo de união homossexual. A sociedade me induzia a ter relações só com garotas e a jamais pensar em qualquer outro modo de relação afetiva que não fosse este. Via meus colegas de classe saindo com garotas e mais garotas, e eu me sentia cada vez mais só. Sonhava acordado em ficar com meninos, mas logo acordava para a realidade preconceituosa. 

Isso fez com que eu ficasse muito triste, e até depressivo, além de me trazer uma amarga solidão. Eu tentei mudar, fiz tudo para isso. Comprei revistas de mulheres nuas, acessei dezenas de sites eróticos heterossexuais na internet, tentei sentir-me atraído por mulheres. Mas não mudei. Não consegui (só depois fui dar conta que determinados sentimentos são imutáveis). Pelo contrário: minha atração pelos garotos aumentava a cada minuto. Desesperei-me. Com o 
desespero chegaram os piores carrascos psicológicos, em forma de perguntas e 
dúvidas existenciais: "aonde isso me levaria?", "quem me aceitaria caso eu me revalasse?", "será que só por ter essa opção sexual as pessoas teriam pena de mim?". Me perdi completamente. Me isolei mais ainda. E comecei a afundar numa depressão claustrofóbica que parecia não ter fim. 

Então, num instante qualquer enquanto eu despencava por não gostar de quem eu era, senti certo orgulho de mim - não sei de onde e nem por que surgiu esse estranho sentimento tão repentino e passageiro que foi de grande importância para a minha auto-aceitação. Comecei a me analisar. Decidi esquecer a sociedade, nem que fosse por um curto período de tempo. Fiz de conta que o mundo não influenciava meus ideais. Foi quando percebi que eu não era pior do que ninguém. Com isso começou a se erguer minha auto-estima. E o homossexualismo, reparei eu, não era mais o principal - descobri, por fim, a finalidade do caráter. O caráter não se julga pela sexualidade do indivíduo, mas por seus atos, convicções e pelo peso de sua consciência. Declarei ao meu ego aquilo que ele tentava repelir de mim há anos: "sou gay" (pode ter certeza que essa declaração, para muitos, é a mais dura que pode haver). Desde então me sinto melhor. Ainda há muitas barreiras a serem rompidas. Ainda não me assumi para absolutamente ninguém (afinal, isso é realmente necessário?). Mas vou levando, do mesmo modo que milhões como eu no mundo inteiro se trancam nos seus anseios, enquanto quase todos os bilhões restantes travam homérica batalha para manter, por um segundo apenas, sua enorme moralidade tão frágil.

É isso. Precisava desabafar com alguém. Vocês são um oásis de vida e alegria 
no meio desse infindável deserto que só sabe cegar com seus ventos de areia.

Muito obrigado. Por favor, mantenham contato comigo.

Luís

lá, meu nome é Luís, tenho 13 anos e gostaria de, de certa forma, protestar. 

Apesar da idade, já tenho absoluta certeza de que sou gay, e conheci um cara de 35 anos na Internet. Professor de pré-adolescentes, achei ele muito legal, gostei de suas idéias, suas opiniões, seus gostos e estou apaixonado por ele, como ele por mim.

Como pode isso ser crime?!? Essa lei é absurda! Claro que até certo ponto ela é correta, mas como saber se a pessoa tem consciência ou não? Pois eu tenho! Isso é maltratar, fazer injustiças. Espero que pensem no caso. Aproveito pra ressaltar: tenho certeza que sou gay. 

Valeu, espero que essa mensagem seja publicada.

Luís - 13 anos
Recife / PE
Renan
epois de 3 anos acessando a net tomei coragem (na verdade era preguiça) e resolvi escrever um pouco sobre mim. Talvez sirva como uma terapia. Essa época de férias é horrível... ainda mais pra uma pessoa "estranha" como eu, que adora passar o tempo aprendendo coisas novas de Química e Biologia. É superinteressante solucionar problemas que envolvam a hidrogenação de
alcanos, desidratação de álcoois, oxidação das olefinas... Poxa, isso é show.
Um psicólogo mais ressabiado diria que é uma forma de fugir dos meus problemas,
ainda mais complexos do que a loucura da Química... Ah, quem sabe, até hoje só conheci psicólogos "freudianos"...e eu acabo sempre deixando eles piradinhos... Vamos lá ao que interessa!

Meu nome é Renan (óbvio que estou mentindo!), tenho 17 anos e sou, digamos, uma pessoa que tem afinidade entre indivíduos do mesmo sexo... Acho que não é necessário dizer que sou homem né?!

Fui uma criança bastante ingênua e hoje dedico a esta qualidade toda a minha felicidade de outrora. Fui mimado, criado pela avó (Freud se mexe na tumba!), sempre cercado de cuidados e brinquedos (Tenho toda coleção do He-man com o Castelo, e ainda compro "relíquias" de eventuais colecionadores). E como a minha avó tinha orgulho de mim! Olhos azuis, cabelos claros, pele rosada...o que mais precisava uma avó para sentar na calçada do lado do carrinho de bebê só para poder mostrar o "netinho" para a vizinhança ?! Lembrando desses acontecimentos é que me deparo com as maiores barreiras que me impedem de agir hoje. 
Cresci bonito...Não tive aquelas deformações tão correntes na adolescência.
Nem ao menos tive espinhas, e me orgulho do espanto das pessoas quando digo que tenho 17 anos! Espero que com 50 eu aparente menos idade também. Então, fazendo uso da minha "beleza" fui o protagonista de um "achado de supermercado". 

Hoje sou de uma agência de Modelos aqui da minha cidade. Podem acreditar,
toda aquela disputinha de egos existe nesse meio. Um querendo ser melhor
que o outro. Vivem na academia os coitados, malhando feito doidos desejando
que o esforço os contemple com os corpos dos lendários gregos... Confesso, malho também. Mas 3 ou 4 vezes por semana, e vou arrastado, como se fosse um compromisso.

Como podem notar não sou nenhuma ameba fashion! Na verdade essa coisa me
irrita, mas até que dá uma grana legal. Foi e está sendo um estágio muito  importante na minha vida. Por eu ser muito sensível e inteligente (desculpe qualquer tom prepotente) esse "mundinho" de desfiles e propagandas me mostrou o quão é vazio certos seres humanos:  Pessoas que são capazes de vender a mãe por um produto de cabelo que prometa o alisamente definitivo. A única saída foi mergulhar na leitura e acho que o destino não poderia ter sido tão sábio. 
Com 13 anos eu li a obra que marca a minha vida até hoje: O RETRATO
DE DORIAN GRAY. Romance psicológico, com nuances homossexuais, que nos leva
às profundezas do desejo humano e, quando voltamos ao mundo real, faz com
que tudo pareça uma grande futilidade. Basicamente é isso! Sou leitor também de Tolkien, Dostoiévisk, Balzac, Machado...e dedico a estes humanos a minha grande sabedoria de hoje...hehehe. Sabedoria que me fez um grande ator, dissimulado nas relações, precavido nos sentimentos, preconceituoso contra si mesmo! Capaz de tornar um simples diálogo em um roteiro de cinema. Capaz de ludibriar as próprias emoções para que as pessoas que a amam não sofram. 

Acho super legal o E-Jovem.com, suas dicas, suas matérias educativas, sua tentativa de libertação... Parabenizo por essa iniciativa. Mas algo em mim atua como se tudo isso fosse muito distante. Vendo as colunas do site, por exemplo, me identifico com o garotinho que diz sobre o preconceito no "futibol"...lembro muito bem o goleiro frangueiro que eu era, sempre servindo de chacota de comentários maldosos. Ou ainda a coluna do Chirs e Bru, que mais parecem conselheiros sentimentais ao estilo de Rosely Sayão, que se sustentam pela linda história de amor que une o jovem e revolucionário casal. Enfim, apesar do tom informal e infantil dos colunistas lá estão todas as verdades sobre o "Mundinho Gay". Quem não se delicia com o relato da confissão de um homossexual sobre sua opção para sua mãe? Ou ainda com a "paixão à primeira vista" de um jovem rapaz por um lindo garoto de olhos verdes, loiro e alto (nada mais estereotipado?!)
Se eu penso em sair do armário? Acho que não, e tenho justificativas muito
boas para essa opção. Em 2002 entro na faculdade e um novo mundo irá bater
em minha porta (Argh, que clichê horroroso). Nunca estive apaixonado, apenas
algumas ilusõezinhas bobas que dariam uma divertida história para o voyeristas
de plantão. Mas não posso prever o destino, não posso adivinhar quem irá sentar no lado da minha carteira, não sei que novas descobertas virão e quais os tabus que por ventura podem vir a serem quebrados dentro de mim. 

Não sei, e adoro essa ignorância. Talvez o que há de mais especial esteja
para acontecer.

Diogo

lha esse negócio de e-jovem não é muito fácil não como eu li no site... Para muitos podem ser, mas para mim é diferente, pois descobri com 15 anos que eu era um e-jovem e hoje com quase 18 venho descobrindo o porquê disso.

Minha infância foi umas das piores fases, meu pai faleceu quando eu tinha 5 anos, minha mãe foi criada por um casal de italianos muito estressados, ela desconta sua IRA até hoje em mim (pois sou o caçula, mas também judiava de meus irmãos que já estão formados, um é Advogado e o outro é Analista de Sistemas). 

Quando entrei na escola estava indo bem, mas passaram-se uns tempos a galera se virou contra mim, me excluía de tudo, tudo mesmo, ate quando eu chegava atrasado me xingavam, vaiavam, e eu engolindo tudo. Isso se repetiu até a 8ª serie. Os trabalhos, eu fazia sozinho, quando mandavam fazer trabalho em grupo dentro da classe era o fim, gostaria de ser invisível na hora, mas não dava, engolia e fazia sozinho... Tomei uma suspensão por causa de uma articulação, só para eu tomar no #$#. Quantas festas eu não fui, pois não me chamavam, não sabia por quê. Minha mãe nunca deixou eu mudar de escola, pelo tanto que pedia e imaginem as mesmas pessoas durante 7 anos, 7 anos de depressão e agonia intensa. 

Aí vem o ensino médio, nova escola(ufa!) foi um ano razoavelmente legal, mas por causa de algumas perturbações tomei 2 DP e fui pra uma outra escola. Lá estavam 8 pessoas da infância que tornou a refazer minha fama. A maioria das pessoas que eu brigava, que me perturbava era as meninas e nesse tempo tive 2 amigos só, mas que eu considerava pacas. 

Agora eu estou morando em outra cidade, a coisa mudou pra melhor, mas a agonia de não ter tido uma infância feliz como todos continua até hoje, mas o que posso fazer?

Com 15 anos tive meu primeiro beijo, foi na praia com um garoto muito legal. Foi rápido e mudou minha vida pra sempre, ele perguntou se eu gostaria dele ser meu irmão, eu disse que sim, aí ele me deu um beijo demorado. Só que no mesmo dia ele foi embora. Agora eu estou aí a espera de alguém né... Tem muita coisa que eu não concordo, eu estou passando por uma turbulência daquelas, o que está me prejudicando. Mas o certo é botar um sorriso hipócrita na cara e seguir a vida.

DiogoRP – 18 anos 
Ribeirão Preto / SP
Sassi
u visito o site já tem um tempo, e freqüento o canal há algumas semanas, mas só agora decidi escrever, porque não sabia bem como....

Acabei de fazer 18 anos, mas nada mudou, na verdade, eu acho que só fui entrar na adolescência aos 15 anos, devido a vários acontecimentos em minha vida, e eu ainda me sinto criança. Sempre soube que gostava mais de homens do que de mulheres. Na minha infância, era muito “danado”, mas quando cheguei aos 10 anos, que fui começar a entender mais ou menos os meus sentimentos, comecei a me isolar.

Meu pai sempre foi ausente, devido a sua profissão. Eu não sei o que é ter um pai de verdade, aquela convivência saudável de pai e filho, eu nunca tive. Minha mãe trabalhava fora, eu só via ela de noite, ou seja, fui criado pela minha avó até os doze anos, quando minha mãe parou de trabalhar, mas eu sempre respeitei mais a minha avó do que minha mãe. Minha avó já era idosa e doente, e os papeis se inverteram, eu cuidei dela então, até ela morrer. Essa foi a experiência mais intensa da minha vida (eu raramente conto essa estória pra alguém, pouca gente sabe disso). 

Em 1998 minha mãe sofreu um acidente de carro com meu pai, minha mãe quase morreu, ela ficou incapacitada por quase um ano, quebrou a perna e fraturou um osso na cabeça.

Três meses depois do acidente, minha avó adoeceu, “mal de Parkinson” ela parou de andar e foi perdendo os movimentos das mãos também. Como minha mãe estava acidentada, meu pai viajava, meu avô também era velho, e meu irmão era mais novo, quem tinha q levar ela ao banheiro, dar comida na boca, remédio na hora certa era eu. Tinha uma enfermeira, mas ela só vinha 3 horas por dia pra dar banho e aplicar os remédios injetáveis. Mas no resto do dia quem cuidava dela era eu mesmo. Isso se estendeu por quase um mês, até que ela teve uma parada cardíaca, causada por um remédio, que agente não sabe explicar até hoje, eu nunca mais vou esquecer aquela cena. Eu estava com ela, quando a enfermeira chegou pra dar banho nela, eu saí por uns minutos, de repente a enfermeira m gritou pra chamar uma ambulância, eu amoleci, ela estava fazendo um barulho horrível (não convém eu entrar em detalhes porque essa cena eu tento esquecer), mas eu vi a vida sair do corpo dela lentamente, enquanto a enfermeira fazia  a reanimação em vão.

Desse dia pra cá eu nunca mais fui o mesmo, isso me fez amadurecer bruscamente, e me marcou por muito tempo....

Falando essas coisas eu acabei não falando sobre ser um “e-jovem”.

Eu ainda sou muito confuso sobre isso, passo por varias crises todo mês... Não sou muito chegado em mulheres, mas só ando no meio hetero porque essa é a única maneira que tenho de me divertir, e às vezes acaba rolando alguma coisa. Eu faço isso, pra me enturmar melhor com meus amigos, que não sabem de nada, e me respeitam, não sei o q eles achariam se soubessem de mim. Mas eu acho muito gostoso esse jogo de sedução e conquista, adoro paquerar, e arrumar alguma garota pros meus amigos (não pra mim...rs... ). Tudo isso é muito bom e eu gosto. Mas pra nós isso teria que ser diferente.

Seria impossível eu paquerar outro cara nessas ocasiões. Eu não freqüento lugares GLS, porque moro em cidade pequena, onde todo mundo conhece todo mundo. Eu sei q estou muito errado, por estar escondendo uma coisa normal (na verdade fazendo isso eu estou deixando de ser eu mesmo). Seria tão bom não ter que esconder isso, se as pessoas vissem isso como algo normal.... Por isso eu me enfio cada vez mais na net, paquero na net, porque aqui, ao mesmo tempo que todos sabem do que eu gosto, eu tenho privacidade, isso é ruim, mas como é meu único meio, acaba sendo bom...

Não sou tímido, hoje, depois de tudo o que passei, me tornei extrovertido, mas quando se trata desse assunto, eu fico nervoso, eu nunca sei direito o q fazer. Infelizmente, tenho menos vergonha com mulheres do que com homens, talvez por que eu não sinta nada por elas, e faça as coisas totalmente sem compromisso e querendo que não dê certo.

Eu fiz alguns amigos pela net, alguns eu já conheço, outros não, mas eu não convivo com nenhum, bem que eu gostaria, mas todos eles são muito importantes pra mim, mais do que eu sou pra eles.  Porque eles foram as primeiras pessoas com quem eu tive contato, inclusive, eu só conheci o site por indicação de um...
O que eu mais dou valor nessa vida, é pra amizade, pros meus amigos. Eu tenho certa facilidade de fazer amigos, mas eu não tenho um amigo de verdade, acho que só vou poder ser amigo de verdade, de alguém pra quem eu possa contar isso, os meus amigos atuais são legais, mas não sabem da minha preferência, acho q se soubessem, seria muito melhor, mas eu ainda não estou preparado pra contar pra eles, nem pra minha mãe, acho q ela seria uma das ultimas pessoas a saber. Porque eu nunca sei a reação dela. Eu só vou contar quando eu for independente, tiver minha própia casa, e quem sabe, meu namorado, hehe...

Bom, eu perdi a noção do tamanho do texto, é que eu me empolguei...rs...É que é muito bom falar sobre isso, só assim eu posso ser feliz, falando desse assunto, eu posso ser eu integralmente.

Abração
Edu

u gostaria apenas de deixar um conselho para aqueles que ainda sofrem com a dúvida sobre o que são e o que sentem.

Sou filho único (tttsssss), filho de militares (tttssssssss), aposentados (tttsssssssssss) e evangélicos(tttssssssssssss%$^yrRT!$#&*&@). Já deu pra sentir a barra que passo aqui.

Primeiro gostaria de dizer que perdi muito tempo da minha vida (tá, nem tanto)
até aceitar o que eu era. Minha criação religiosa é o motivo principal disso.

Aos 12 anos conheci um vizinho do meu prédio chamado Miguel. Nós tipo que
namoramos, até os meus 15anos. Ele tembém era filho de militares gaúchos e vivia viajando. Só que enquanto eu viajava ao Espírito Santo, meu apartamento foi vendido e fiquei sabendo disso por telefone. Decidi contar ao Miguel quando voltasse no mês seguinte. Quando cheguei ao Rio, no dia 2 de Janeiro fui à casa dele(que nessa época era num bairro militar aqui no Rio) e reparei que as cortinas estavam diferentes e que o quintal estava bem vazio...

Toquei a campainha  minha surpresa foi que um homem que nunca havia visto
me atendeu e me explicou que a família do Miguel havia se mudado de volta para o sul e não tinha deixado nenhum contato. Como nossas duas famílias mudaram na mesma época, não conseguimos trocar os nossos novos endereços, ainda mais que nossos pais não se davam bem...

Passei 3 anos em depressão e tentando esquecer esse negócio de ser gay. Não aceitava ficar com outra pessoa e não conhecia mais ninguém assim... 

Mas quando entrei para a faculdade (18anos), conheci uma garota e me tornei
muito amigo dela. E numa cena Hollywoodiana contei a ela que eu era gay. No meio do meu nervosismo quase não houvi ela dizendo: "Nossa, Eduardo! Eu também." Ela me levou em algumas boates e me apresentou aos amigos dela. No final das contas devo minha vida, pois ela me deu uma.

Hoje eu mudei. Muito. Sou outra pessoa. Emocionalmente e fisicamente. Sou mais alegre e mesmo não sendo assumido ou afeminado, eu sou feliz do meu jeito. E levei anos para ver que aquele disfarce que usava na minha adolescência, era prejudicial pois meus pais (mesmo sem saberem), repararam que eu passei a sair à noite e voltava só às seis, me apóiam nesse rumo que tomei pois sabem que agora o filho deles tem bons amigos, e que tem uma vida.

Devo tudo a essa minha amiga. Obrigado Ana Paula (Lucoca)!!!

Hero

om, tô aqui pra contar a vocês um pouco de como eu me sinto em ser um e-jovem - um cara jovem e homossexual. A vida pra mim as vezes chega a ser um saco, não me sinto bem em ter que dizer um dia para meus pais que sou gay, mas sinto uma tremenda vontade em abrir todo esse jogo pra eles... Acho que no começo sentirei um tremendo peso na consciência por tê-los decepcionado, por não ser como eles sempre me quiseram, mas sentirei depois as coisas boas de ter dito, creio eu, como ser um pouco mais livre e ter mais liberdade de expressão.

Ultimamente eu tenho passado por várias pressões por parte dos meus pais. Acho que pelo fato de não ter uma namorada (a única namorada que apresentei aos pais foi quando eu tinha 13 pra 14 anos), eles me pressionam com perguntas irritativas que me dão ódio só de ouvir - nesse momento dá uma vontade de pôr mesmo a boca no mundo e dizer quem eu realmente sou e quem realmente vou ser para o resto da minha vida, mas tenho medo de que pensem uma coisa que eu não quero que eles pensem: Quero dizer pra eles que sou homem mas com um gosto diferente dos caras normais, não quero que pensem que vou dar pra todo mundo e me vestir como uma mulher, nunca, nunca, nunca. Mas ainda vou contar, começo a me preparar pra esse dia, que certamente virá, mas não tão cedo - tenho apenas 15 anos, acho que se for agora, eles irão me proibir de muita coisa....

Não sofro muitos problemas na sociedade pois não sou um cara afeminado (acho que isso ajuda muito a pessoa a não sofrer preconceitos) - ser desse jeito não faz sentido pra mim, não é isso que eu quero ser, não quero ser mulher, quero ser homem mas com uma diferença: gostar de homem.

A minha vida sexual começou cedo, mais cedo que eu imaginava, coisas de criança, claro, mas que me despertava tesão e muita vontade de fazer aquilo sempre... Fiz coisas simples, mas essas coisas não saem até hoje da minha memória... Com o passar do tempo foi tudo fazendo sentido, aos poucos...

Passou-se o tempo, fui crescendo, fui descobrindo pessoas novas (não tantas assim), mas foi assim que eu fui concretizando na minha cabeça o quê que realmente era e o que eu realmente gostava. Mas depois comecei a conhecer bastante gente pela Internet, alguns eu fiquei só amigo, mas outros rolaram algo mais. Mas nada de mais! Vou contar uma coisa: eu nunca fiz nada daquilo que vocês imaginam, viu? Eu acho que encontrei agora a pessoa certa que possa fazer isso comigo - alguém em quem eu confie e que eu ame de verdade.

Eu encontrei uma pessoa que é muito rara de se encontrar, ninguém acha uma pessoa dessas em cada beco da vida... Tá bom,tô aproveitando esse espaço que me deram pra puxar a sardinha dele, mas é assim mesmo, onde quer que eu esteja eu tenho ele no meu pensamento.

Então é isso... Gente, espero que cada um encontre a pessoa certa na sua vida, seja ela homem ou mulher, mas que te faça feliz. E que sua vida homossexual seja a menos descomplicada possível. 

Morpheus

lá todos,

 Estou escrevendo este artigo porque também sou um e-jovem, e me sinto na obrigação de lutar contra o preconceito que paira sobre nós.

Cada geração deve começar a combater os argumentos, e as atitudes preconceitusas. Nossa geração (e-jovens) talvez  seja privilegiada pois podemos nos expressar mais que alguns há tempos atrás, mas mesmo assim existe  uma muralha a ser destruída. 

O  preconceito existe porque somos seres humanos. Ser um ser humano é ser diferente, todos temos preconceitos, é uma utopia pensar que os preconceitos um dia deixaram de existir, ninguém atravessa a rua sem preconceito, mas podemos fazer com que os sem sentidos sejam apagados, a humanidade deve entender que existe uma diversidade, e ela deve ser respeitada, aceito que não gostem de cebola, mas há quem goste, existem aqueles que são mais afeminados e isto só significa que ele é diferente de mim. Quem me deu o direito de achar que sou melhor ou pior? Eu não sou o juiz do mundo, nem tenho as verdades para a humanidade. Logo, não cabe a mim julgar o que é certo, e o que é errado.
Para combater o preconceito e a discriminação não basta apenas nossa indignação: é necessário entender.

Há racistas que se justificam, pelo simples fato de a humanidade ser dividida em raças algumas destas raças seriam biologicamente superiores às outras. Esta superioridade poderia ser: psicológica, cultural e espiritual. E asssim tentam, infundadamente, legitimar este sentimento.

Já está provado que não existe raça pura, nem genetica e nem culturalmente.

Por que temos então que sofrer com a indiferença da sociedade? Eu não concordo. Temos sim que lutar por  respeito. Somos jovens que passamos pelas  mesmas crises que qualquer outro jovem passa quando tem esta idade. O fato de termos uma preferência sexual diferente não dá a ninguém o direito de se sentir superior ou de se achar no direito de nos condenar. Não precisamos de só aceitação, precisamos também de compreensão. E é por isso que não acho que devemos nos isolar nos guetos, como se fossemos “mutantes”. Nossa geração tem a obrigação de mostrar à sociedade que somos tão normais e comuns quanto qualquer um (bonitos, feios, gordos, magros, ricos, pobres, gostamos de cebola, ou não, baladeiros ou não, etc.). Para tanto, temos que mostrar a cara: fazer sites, escrever, dar nossa opinião, fazer amigos, temos que tirar o estigma que ser gay é ser pervertido, é ser promiscuo, e se cada um fizer um pouco e deixar de se isolar, seremos fortes. Daí um dia poderemos ver casais andando na rua de mãos dadas sem que ninguém torça o nariz para isso.

Fico por aqui. Gostaria que todos nós assumíssimos esta causa tão digna, para que possamos curtir nossa liberdade.

Japa 17

inha história poderá parecer chata aos que a lerem, mas como eu nunca conversei abertamente com ninguém, será uma chance de o fazer pela primeira vez.

Tenho dezessete anos. Não sei bem o porquê, mas sofro de uma timidez crônica. Não sei se devido ao tipo de educação que recebi (meus pais são japoneses), ou se devido a alguma estúpida dúvida sobre a minha sexualidade (mais recentemente passei a acreditar que sou bissexual), mas o fato e que até hoje eu não consegui me declarar para nenhuma garota/garoto. Não sei qual o meu trauma, às vezes passo horas só pensando nisso (coisas do tipo "sei lá, que besteira, acabe com isso, rapaz, quem tá perdendo eh você", etc). Vai ver tenho
medo de que as garotas me chamem de viado e os caras de hetero, sei lá. Ou
que me chamem de feio. Não que eu me ache feio, va lá que minhas orelhas
poderiam ser um pouquinho menores, e uma malhadinha não faria mal... Mas não me acho feio, adoro ficar me olhando no espelho, sou o cara mais narcisista da Terra... 

Xi, ta ficando muito complicado, este aqui acho que nem Freud explica. Valeu pela atencão, foi bom o desabafo.

Japa-17
Salvador - BA

isitei esta página há alguns dias atras... Mandei um e-mail de críticas e elogios, e quem muito bem me respondeu, foi o Deco. Através de uma sugestão dele, resolvi dar uma força e escrever ao fórum.

Podem me chamar de Deco-2, pq meu nome, tb é André. Sou Paranaense... Tenho 15 anos. E, bem, faço meus, alguns trechos dos desabafos do Japa, e do Edu.

Nunca tive nenhum relacionamento, me considero bissexual, mas na verdade sou um grande ponto de interrogação. Fiquei apenas uma vez, com uma garota... Não me excito ao ver garotas, mesmo nuas, mas quando alguma se aproxima mais, aí sim. Foi assim que senti atração pela garota que fiquei...

Mas sempre, me considerei mais homo do que hetero. Tipo, sinto maior atração
sexual por homem. NADA A VER, com eu ser afeminado (coisa que até tenho
certo preconceito confesso, e que estou tentando banir de mim), NADA A VER com eu querer ser mulher, ou coisa do gênero. Acho que é esse o problema da sociedade... Julgar sem conhecer... Ou às vezes até reconhecer, mas ter vergonha de voltar atras e admitir os erros..

Cada um nasce diferentemente do outro. NINGUÉM escolhe o que quer ou não ser. Nasci assim, sou assim. E não há nada a fazer para mudar isto. O que se pode fazer, é: estudar maneiras de se viver a vida da melhor forma possivel, sendo ou não homossexual, negro, empregado não registrado, pobre, enfim, um marginal para a sociedade. Pois acredito que gays, bissexuais, são tidos como às margens da sociedade. AINDA.

Vou completar 16 anos... E minha cabeça está um caos. Além dos problemas escolares, das rotinas familiares (pais separados e tal...), tenho que manter uma falsa postura diante dos meus amigos. Sei lá, hoje acho que eu não deveria ter levado tão a serio essa coisa de ser "hetero" ... se eu soubesse que iria pesar tanto essa farsa... eu teria dito tudo, bem antes. MAS, uma coisa eu penso, NINGUÉM tem direito de se intrometer na minha vida pessoal, MUITO MENOS, na minha vida sexual. Quem decide o que fazer SOU EU. As satisfações devem ser prestadas somente à mim.

Não sou tímido. Mas nunca consigo chegar numa garota. E MUITO MENOS num
garoto. O porquê, eu não sei. Pessoas na mesma situaçào que eu, só conheço pela internet mesmo. Tenho medo de conhecê-las pessoalmente, e depois alguém me notar, e começar a falar de mim.

Ao vivo, eu sou o "hetero". Acho que quem quer que esteja lendo isto deve compreender... Contar à minha mãe, jamais, muito menos à alguem de minha familia... Isso seria a mesma coisa de eu morrer, André pra eles seria aquele garoto "que estragou a vida aos 15 anos"...

Bem, mas é como eu sempre digo aos meus colegas, temos que superar a nós
mesmos, temos que nos entender, e nos perdoar, nos ajudar, nem que sejamos "falsos" de certo modo, às vezes, a vida, nos impõe desafios, e temos que responder ao nível deste desafio. Ora, como diz uma professora minha, "O mundo é dos espertos..."

Ela está certa. Temos que ser espertos, para com nós mesmos, temos que nos satisfazer a nós proprios. Antes de procurar alguém, para algum contato mais intimo...

Encerro por aqui, antes que me alongue por mais 30 linhas... (risos)... Um abraço aos leitores do site. Que deus nos ajude, e tenham certeza que ele ajuda...


Paraná
Marco

om, antes vou me apresentar. Meu nome é Marco, tenho 21 anos e sou de Campinas - SP.

Na minha opinião, acho que comecei meio tarde esse lado G, pois somente com 19 anos percebi o que realmente queria. Quando estava no ginásio, na aula de educação física, uns amigos sempre levavam revistas de sexo, pois já estávamos na idade de... E nisso, eu gostava de olhar o p... dos homens. Isso eu tinha uns 15 anos. O tempo foi passando, e já que naquele tempo eu nem sabia o que era internet, ficava fechado, virei uma pessoa introvertida, perdendo o contato com meus colegas que nunca mais vi nos anos depois. Que eu me lembre, eu gostava de ler e ver historinhas de sexo, mas não me lembro de ficar secando ou olhando pra homens que me chamavam a atenção.

Já no meio de 98 que eu me lembre, com 18 anos, instalaram a internet aqui em casa, e foi a partir daí que tudo começou, como a maioria das pessoas hoje em dia. Comecei a entrar em bate-papos, resolvi ver as fotos, pois era curioso, e, depois disso, percebi que meu negocio mesmo era com H. O ano de 98 passou e em abril de 99 eu conheci o primeiro da net. No ano de 99 eu conheci, que eu me lembre, umas 4 pessoas. Em 2000, conheci uns poucos até junho, e foi aí que comecei o 1o namoro que infelizmente durou somente 2 semanas (de agosto). 

Eu já estava aflito de teclar com o pessoal da net, queria era conhecer a galera, e pra isso, o local exato para encontra-los era a boate daqui, a famosa The Club. Na 1a vez que fui, fiquei um pouco nervoso, mas com o passar do tempo, era o único lugar que eu gostava de freqüentar, embora saia algumas vezes com amigos “HTs” pros lugares o qual eles gostam de freqüentar. 

Quando percebi, esse ano, vi que eu era uma outra pessoa. 

Havia conhecido o pessoal da net, estava viciado em ir pra boate dançar, adorando a idéia de ficar com homens, e quando dei por mim, já não curtia mais ir à lugares “normais”. E então, começa a pegação dos pais no pé, quem não passa por isso né...? Mas isso não me alterou em nada, pois sou expert em desculpas, sempre falo que vou pra boates HT's ou bares que os boyzinhos gostam de ir... Até que um dia meu irmão mexe na minha gaveta e acha um papel de uma boate gls aqui perto de casa. Lá vem ele me perguntando varias coisas, inclusive se eu sabia que era boate gay, mas não dei explicação. Finalmente, um dia viajei sozinho com minha mãe e resolvi contar que eu era Bi (pois assim ela teria menos ataques). Começaram as suas perguntas, querendo saber como eu sabia, com quem foi, ai ai ai... (mãe sempre pensando podre da gente), contei dos meus amigos, que eu estava curtindo, havia feito varias amizades, e estava feliz assim, e após isso, me aconselhou a ir me afastando aos poucos das pessoas. Coitadinha dela, mal sabia que não havia mais volta! Depois disso acho que ela não comentou nada com meu pai, pois não vieram conversar comigo. Eu sei que ela sabe, mas finge estar tudo bem pois está em vendo outra pessoa - uma pessoa mais feliz.

Vou parando por aqui, pois acho que já pode se ter uma idéia da minha vida... Queria deixar claro que todos tem direitos dos seus sonhos, e VOCÊ, que é um e-jovem assim como eu, corra atrás do que quer, não vamos deixar esse preconceito social acabar conosco, temos que ir atrás da vitória, e conquistar o nosso espaço na sociedade.

Grande abraço,

Marco, 21a
Campinas/SP
Horus

lá! sou Horus de Abidos. Tenho 17 anos e moro em Caxias do Sul, RS. Eu morei por nove anos em uma cidade potencialmente menor e tradicionalista, onde tive que esconder o melhor possível a minha verdadeira identidade de e-jovem. Agora terei a oportunidade de assumir e não pretendo perdê-la, faltam apenas as circunstâncias que preestabeleci funcionarem (preparar meus pais, amigos...) Quando eu o fizer, eu conto.

Conheci o e-jovem.com há algumas semanas e logo me identifiquei. Este site mudou minha vida. Esta é a minha primeira coluna e pretendo escrever mais.

Tive a oportunidade de dar meu primeiro beijo em um menino, mas foi em um tempo que eu nem sabia que "um garoto não podia" beijar outro. Inclusive nós brincávamos de namorados. Houve também aquelas brincadeirinhas que eu e meus primos faziamos quando tomávamos banho ou dormíamos juntos.

Eu descobri que era gay aos 13 anos, quando me apaixonei por um colega de aula, mas que eu sabia que era hétero, por isso "não poderia" fazer nada, e, com o tempo, foi acabando. Confesso que fiquei meio aliviado com isso, porque pensava que tinha deixado de ser gay (dãã!!). Quando eu passei para o Ensino médio e mudei de escola, um novo menino tocou meu coração. Desde os quinze anos eu gosto muito dele, mas, nossa amizade acabou fazendo-me ajuda-lo a resolver uns problemas com a família, agora o tenho como um amigo fraterno, apesar das controvérsias. Todas as minhas tentativas de namorar garotas foram fracassadas. Eu não conseguia me envolver, nem me sentia feliz.

Eu fiquei 5 anos, quatro dos quais não me conhecia e, entrando e saindo de depressões (mal de família). Eu estive trancafiado dentro de casa, quase não tinha amigos, não tinha vontade de jogar futebol, tampouco de sair para ficar com garotas. Devido a minha reclusão, criei, para ou outros, a imagem de uma pessoa misteriosa. Até porque eu não contava para as pessoas o que eu fazia trancado dentro de casa, e sempre era possível me ver com meia dúzia de livros em baixo do braço. Houve um tempo em que eu gostava da solidão e desse mistério todo, mas já não é mais assim e eu comecei a me sentir só. Muito só.

Meu "melhor amigo" não sabia do meu segredo, minha "melhor amiga" não sabia também. Nos últimos meses, um sentimento de vazio encheu meu ser. Não sei se podem entender, mas "Vazio" é uma coisa horrível e destrutiva. Nos final de semana eu via meus amigos saindo e tendo alguém para abraçar e acariciar e sendo abraçados e acariciados, e tudo é tão fácil para eles, já que são héteros e correspondem às expectativas da sociedade. Mas eu também sou humano e tenho o direito de amar e ser amado. Se houve um tempo em que eu achava impolgante a idéia de ser o guardião do meu segredo, agora já não é assim. Tenho plena consciência de que vou sofrer preconceito dentro de casa, na rua, no circulo de amizades, mas estou consciente de que isso será um grande filtro de amigos.

Teve um grande fator que foi decisivo na minha volta do mundo dos mortos: a filosofia. Se não tivesse aprendido a conhecer-me, estaria perdido. Mas isso é para outra hora.

Gostaria de dar uma dica para aqueles que já estão no limite de segurar o segredo. Escrevam. Criem um diário, no pc mesmo se quiserem. Coloquem nele todas as suas aflições e questionamentos. Revelem sua verdadeira identidade com calma e com serenidade, como deveria ser, não por impulso. As palavras têm um grande poder de absorver nossas tensões. Podem me escrever. Eu gosto muito de  responder e-mails e poder ajudar, ou, chorar junto, se for o caso.

Abração amigos e-jovens e e-simpatizantes.

Horus

 
Dedé
 

lá! Primeiro eu vou me apresentar. Eu me chamo André, moro em Goiânia, tenho 13 anos e sou um E-jovem. 

Há vários dias eu venho lendo o e-jovem.com, e então resolvi escrever. 

Eu sou gay desde que nasci porque desde pequeno tenho atração por homens. Quando eu era menor, eu e um amigo meu, que estudávamos juntos, nos beijamos na escola. Muito tempo depois eu fui brincar na casa dele e a gente acabou ficando. Eu ia muito na casa dele, dizendo que ia brincar, mas nós ficávamos namorando. Até um dia que o pai dele viu. E eu fui embora pra casa com muito medo de ele ter visto mesmo. 

Quando a mãe dele chegou lá em casa chorando, minha mãe descobriu tudo. 

Agora, quando eu faço algo errado, minha mãe fica me ameaçando... Por exemplo, quando eu demoro pra fazer as tarefas da escola ela diz: "SE VC NAO FIZER AS TAREFAS LOGO EU CONTO PRO SEU PAI QUE O FILHO DELE É VIADINHO".

Isso magoa muito e mostra que minha mãe nao gosta de eu ser gay. Mas na verdade eu nunca me assumi, ela diz isso e coisas do tipo indiretamente, e eu finjo que não estou ouvindo. 

Eu tenho mais histórias sobre minha homossexualidade para falar mas depois eu conto. 

E eu quero dizer que foi muito bom desabafar. Obrigado! 

Dedé

 
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