| Desabafo
por Maede
Meu peito dói.
Milhares de
sentimentos se enroscam em meu peito e me deixam mais tonta do que
criança
em parque de diversões. Muita coisa acontecendo. Sei que estarei
chateando
um pouco pessoas como o DeJ, que lutam quase diariamente pra tentar me
ver
feliz e sem
depressão; que quase não estão mais vindo, mas que
quando vêm pegam de
jeito (pior
do que amor), mas eu tive de escrever aqui novamente.
E já
que a via-crucis virou circo estou aqui, sentada na frente do meu
laptop
tomando uma
caneca de suco de laranja em caixa, o único que gosto, e pensando.
Aconteceram
tantas coisas que mal sei por onde começar. Estou pensando desde
cedo,
mas a coisa
virou bomba no começo da noite, em torno de 5 horas, quando em um
momento de
mesmice fui abrir os e-mails da minha caixa de entrada do Yahoo! e
comecei a
limpar minha pasta da lista E-jovens. Aliás, talvez eu mande
esse post para
eles. São
pessoas que até agora me pareceram muito boas, melhores do que muita
gente
que fica do
meu lado, ou que fica longe mas estraga minha vida como se estivesse
colada na
minha pele. Um exemplo disso é a nossa querida Brinda, mas depois
falo
dela. Ainda
sobre essa turma de simpáticos (sentido literal, por favor)
homossexuais,
me parecem ser um grupo extremamente fraternal... Notei isso desde
quando me
inscrevi, acho que em abril ou maio do ano passado. O
dono-moderador-gerente-gestor-ou-o-que-seja
de lá, o Deco, já ajudou meu melhor
amigo em uma
oportunidade passada, o que o faz ganhar pontos comigo, e me divertiu
ao enviar
(não lembro agora se foi ele, mas acho que foi... se não,
a pessoa se
identifique
de algum jeito se eu realmente mandar isso pelo grupo) a ele a frase
"Bem-vindo
ao maravilhoso mundo do sexo", assim como outras pessoas, como o AM! e
seu namorado
(que por sinal não lembro o nome agora, só que começa
com W), que
mostram que
nem tudo é ruim nesse mundo cheio de preconceitos. Talvez também
mande
para os Conselheiros
em Crise, que conheci anteontem e estão se mostrando muito
receptivos.
O que tudo
isso tem a ver? Nada. Isso é um desabafo; desabafos foram feitos
para
ficar trancadinhos
em blogs secretos, como é este daqui, e não precisam ter
coesão
nenhuma. Mas
o que importa são meus sentimentos, e não quem vai tentar
entendê-los
(pelo menos
agora), então vou tentar colocar tudo pra fora sem tentar quebrar
o
computador.
Não quero levar esculhambação e ficar sem Annie e
Louise. Por mais
incrível
que pareça, hoje o problema não é só a depressão,
é tudo. A raiva, que foi
atinada depois
de algumas correspondências do E-jovens, a carência, que já
estava
acumulada
há muito tempo e só agora se manifestou de vez, mesmo com
minha confissão
no Cassé,
o desespero, a solidão, tudo. São muitos problemas.
Um deles quase
90% das pessoas que convivem comigo, mesmo que bem longe, passam todo dia:
pressão. Em uma época decisiva na vida de nós, escravos
do sistema escolar, tal como é a do vestibular, é quase impossível
deixar de sofrer pressão por parte de
alguém
que quer que você faça determinada coisa. Mas pra mim não
interessa se
história
é um curso muito fechado e idiota, se eu vou quebrar a cara no futuro,
se
professor
ganha mal, se bacharéis em direito arranjam emprego com a maior
facilidade
do mundo em
qualquer área e se medicina tem especialização em
estética, que segundo
a Veja está
se tornando a área do futuro. Portanto, parem de me encher o saco,
porque eu
não vou mudar de curso dessa vez. Já estou cansada de escutar
vocês. Já me
fizeram desistir
de psicologia, turismo, multimídia e publicidade, e pra mim chega.
Até
porque a minha inscrição da Federal já está
feita, e não dá pra mudar de curso.
Pode ter chilique,
mamãe, pode tentar me convencer, papai, não mudo de curso
e
pronto. E
mandando pro ralo todos estes anos em que só chamei uma vez palavrão
na
frente de
vocês, grito: Foda-se (embora isto não vá ser lido
por vocês. Melhor
assim).
Ah: essa é
a parte em que os E-jovens entram. Lembra que eu estava lendo meus
e-mails? Pois
é. Como havia mais de 150 mensagens acumuladas na caixa de entrada
só
deles, fui
apagando as menos interessantes (como o convite para o terceiro
travesseiro
- moro em Belém do Pará, logo não posso assistir)
e as que eu já
conhecia (como
a do nosso querido Papa do demo, que acha que os homossexuais são
monstros pedófilos
- quase quebro a televisão quando ouvi isso no Jornal das 6), e
acabei caindo
em uma cheia de anexos. Bem, nos textos, ficou comprovado que há
certas "coisas"
que nasceram como humanos por engano. Porque, sinceramente,
homofobia
e bullying são coisas extremamente... não tenho
nem como descrever isso
tudo.
Bullying não
é sinônimo de bulimia, patife! Bullying é o termo americanizado
de
pessoas que
sofrem preconceitos e humilhações por motivos quaisquer,
na maioria das
vezes sem
fundamento. Um exemplo básico dessa putaria (não consigo
definir de outra
maneira) foi
a senhorita Momô, antes mesmo de ela se tornar Heaven&Earth_Girl,
Lenna, Mia,
ou a transtornada e depressiva [M.a..e..D.e]. Ela entrou em um colégio
novo na oitava
série, e logo no primeiro dia de aula foi criticada, encarnada,
zoada, sacaneada,
use o termo que preferir, por um certo grupinho da classe. O final
foi meio feliz:
ela se apoiou nos amigos verdadeiros que tinha e não deu bola para
os insultos,
por mais graves que fossem. E depois de um ano até foi elogiada.
Porém,
mesmo assim
(pouca gente sabe disso) a crise depressiva já começou daí.
E olhe que
ela teve sorte!
Segundo de novo o Deco, 3 adolescentes se matam por dia, e por causa
de preconceito,
gente! Onde vamos parar?!
E voltando
a essa galerinha: o Deco levou um soco (acho
que foi isso) de um idiota,
mais um outro
rapaz foi expulso de um bar porque estava se beijando com outro homem,
e o pior:
W...., namorado do André Marinho (me corrijam se eu estiver errada
na
identificação),
foi espancado quase na porta de uma boate e só
não aconteceu coisa
pior
com ele porque um casal o ajudou. Mesmo assim, o saldo final de tudo
isso foi
um processo
na justiça, uma costela esculhambada, um nariz partido, dois trogloditas
impunes e
uma adolescente longe disso preocupada com o caminho do mundo. E não
é
pela vaga
de miss universo que estou assim.
Tá certo
que nunca vi algo desse tipo aqui na minha cidade. Não que não
haja
preconceito,
porque há, e muito. Começando pela minha própria casa,
onde minha mãe
mudava de
canal quando via Clara e Rafaela e Jennifer e a doutora que esqueci o
nome, interpretada
pela Milla Christie, se beijando (não as 4 ao mesmo tempo), e
pela minha
própria escola, onde ao soar de um simples nome toda a classe explode
em
ofensas claramente
homofóbicas (sabe aquele barulhinho típico, o tal do "nhaííí"?
Pois é).
Mas a coisa nunca estrapolou esse tipo de limite. Minha mãe só
desligava a
tevê,
não ia pro Projac tentar matar a Milla. E os bagunceiros da sala
nunca foram
pra praça
com o dito-cujo. Mas será que isso não acontece aqui? Será
que enquanto eu
escrevo aqui
alguém não está sendo enxovalhado em algum ponto da
cidade só porqu é
diferente?
Poxa, se eu que sou eu já fui humilhada porque era novata no colégio,
coisa qu ese
resolvia rapidinho, imagine alguém que vai ser rotulado por essa
porra
de sociedade
pelo resto da vida? E ainda dizem que eu não tenho motivo pra me
preocupar.
Como é que eu posso ficar quieta, tomando relaxada o suco de laranja
que
já
até acabou quando amanhã pode ser que meus amigos passem
por isso? Tremo ao
imaginar a
cena.
Já tenho
problemas o bastante com o mundo GLS. Minha ex troca de namorada como troca
de roupa, afirma que se apaixona com facilidade e vai deixando aquela fila
de
meninas desiludidas
para trás (e eu estou nela!), mas jura de pé junto que faz
isso
sem querer,
enquanto uma conhecida nossa diz que ela não sabe o que é
amar (o que me
deixa em péssimo
estado, pois namoramos por quase 11 meses). Meu amigo desconhecido
está
em dúvida se tem uma doença incurável que pode cagar
a vida dele pra sempre. O
outro garoto,
com a qual só vim manter um certo grau de intimidade agora, está
lentamente
se apaixonando por um garoto, e eu estou vendo ele quebrando a cara por
isso. E o
último, porém não menos importante, está sofrendo
com um rapaz que virou
sua cabeça,
não quer nada com nada com ele, mas que fica aparecendo de vez em
quando para revirar sua cabeça e me deixar silenciosamente estressada.
Sem contar mais um moço que nem meu amigo é, mas que me tira
do sério quando toma hormônio feminino
mesmo tendo
problema cardíaco e piorando a coisa. E ainda tenho que pensar que
se
eles não
tomarem cuidado, um gorila vai agarrá-lo (no mau sentido) no meio
da rua e
vai dizer
"é só dizer que tu não é
gay que a gente não te bate" (com o erro de
português.
Gente assim não deve ter tido educação pra saber que
isso é errado)?!
Como eu posso
dormir tranquila assim? Não interessa se eles ainda são novos,
se não
são
assumidos, ou que seja. Acho que isso independe desse tipo de coisa. Quando
a
gente quer
fazer o mal, faz e bem feito. Como quando conseguiram me fazer passar por
tratamento
psicológico quando contaram para a diretora do ensino médio
do meu
colégio
que eu namorava uma garota. Ela, a coordenadora, teve intenção
boa, pois é
verdade que
muitos jovens se confundem nessa época de indecisão e descoberta
da
sexualidade.
Mas como já tinha gostado de uma garota antes e tive de segurar
a barra
sozinha (inclusive
aturando ela falar do amor dela por outra garota todo dia), sabia
exatamente
o que fazer, e o que iria sentir, fazendo com que todas aquelas palavras
da psicóloga
sobre "não jogue tudo pro alto por causa de uma aventura" (isso
eu não
faria nem
por um homem) e "É normal ter dúvidas nessa época,
mas não se engane sobre
o certo e
o errado" fossem extremamente inúteis. Ela devia ter guardado aquilo
pra
outro.
E pra encerrar
toda essa confusão na minha cabeça, minha crise de carência
e solidão
aumenta dia
após dia. Nunca desejei tanto na vida um namorado ou uma namorada
que
realmente
me amasse, ou mesmo o filho que tanto quis. Antes, queria ter uma menina;
porém,
depois do meu relacionamento com a Jaína, tudo mudou, inclusive
meu desejo de
ser mãe.
Agora, quero um garoto, um menininho sadio e feliz, e que possa sempre
ser
apoiado por
mim em qualquer decisão que tome, seja a de se assumir para a família,
seja a de
cursar geologia (não que o curso não preste; é que
se eu chegasse e
dissesse aqui
em casa que iria fazer isso meus pais iriam me expulsar daqui) no
vestibular.
E se não fosse pelo fato de eu ser muito nova pra engravidar e de
ainda
ser virgem
(por mais gostoso que seja, não acho uma relação sexual
com uma garota
faça
perder a virgindade, embora minha primeira vez tenha sido com uma garota
e foi
quase perfeita),
teria esse filho agora, nem que fosse pra me fazer ser expulsa de
casa, me dar
dívidas e me fazer companhia. Além disso, o nosso querido
irmão da
minha melhor
amiga deu chá de sumiço e não aparece mais na internet,
o que me faz
pensar que
ele está com raiva de mim ou qualquer coisa assim, e isso me deixa
com
medo. Ele
não sabe que quando a gente ama quer sempre estar perto do outro?
Além
disso, se
ele tiver o mesmo jeito turrão da irmã de ignorar quem o
traz ódio, isso
me deixa numa
situação complicada, porque pelo menos a minha amiga estuda
comigo e
eu posso cuidar
dela de longe. Mas e ele?
Tem muita coisa
que eu não deveria ter falado aqui. Até porque não
confio nos meios
de comunicação.
Vai que tem alguém que me conhece oculto na lista? Vai que quem
não
deve lê
o meu blog e espalha no colégio que sou bi? Vai que minha mãe
descobre (isso
é algo
que nunca contarei a ela)? Mas mesmo assim, tive de desabafar um pouco.
Estou
cansada de
engolir os sapos sozinha. Até porque ninguém comenta no meu
blog, e
gritar para
as paredes é meio sem graça.
Maede
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