M., mãe do Claudinho

 
e chamo M., tenho 47 anos, 3 filhos e sou casada a 25 anos.

Nunca desconfiei que um dos meus filhos fosse um “e-jovem”; além de ter conhecido diversas de suas namoradas, ele (o Claudinho) nunca deixou transparecer que fosse gay. Não tinha trejeitos estereotipados, nem nunca me  deu motivos para desconfianças. Elas partiram de uma conversa com minha vizinha(sogra de um dos meus filhos), que veio me perguntar o que eu faria se tivesse um filho gay (ele já havia contado a ela, são muito amigos). Eu disse que nunca havia pensado nisso.

Alguns dias depois, meu filho mais velho veio conversar comigo sobre as atitudes do Cláudio. Veio me perguntar se não achava estranho ele não estar com uma garota faz tempo, e o fato de ter visto uma mensagem estranha que ele havia recebido no celular. Disse que aquilo era besteira e fui perguntar a ele se era gay. Ele negou e acabou sendo até grosseiro, o que me deixou mais desconfiada.

Passados alguns dias ele me chamou para conversar e se abriu, foi quando me contou tudo. Disse a ele que o amava e apoiaria sempre, o mais importante para mim era vê-lo feliz, e perguntei se tinha certeza daquilo. Conversamos muito e tirei minhas dúvidas sobre o homossexualismo, sobre uma relação entre dois homens, sobre desejos e falei sobre o uso de preservativos e doenças sexualmente transmitidas, etc...

Hoje continuamos amigos e para mim não mudou nada, ele continua sendo o meu amado filho por quem tanto tenho carinho e a quem tanto respeito. Nada mudou com relação ao que sinto por ele. Sinceramente meu único receio é que o pai dele saiba, porque é uma pessoa muito preconceituosa e não aceitaria.

Minha mensagem para os “e-jovens“ é que reflitam sobre seus desejos e se puderem, busquem o apoio dos seus pais; além de nunca esquecerem do indispensável uso do preservativo. Cada um deve tentar ser feliz acima de qualquer preconceito social.

M.
Ana, mãe do Deco
O Segredo

ar de atormentado ela já havia notado nele. Mas existiam as provas, os textos, os exercícios. Tudo era atribuído a tais atividades, por si só, estressantes.

A primeira vez em que ela sentiu a barreira maciça de alguma coisa a mais fora na noite de autógrafos. O 'não', dito sem acolchoados. A dor imensa que sentiu embargou o raciocínio. Todo o lado esquerdo do cérebro ficou anuviado. A ferida da rejeição abriu e ela não pode perceber nada mais além, porque tinha que tratar do pus que escoria e perigava envenenar outras partes. Ela não soube juntar outros pontos que apareciam. A figura permanecia como uma forma não definida.

Todavia, havia algo, dentro dela, que lhe dizia: olhe, observe... Ela precisou de um desodorante e abriu a necessaire dele para achar um. O tubo de um creme captou-lhe a atenção. Lubrificante Íntimo, dizia o rótulo. A bisnaga, com marcas de dedos por ter sido apertada, em meio uso, deixou-a em estado de alerta.

Mas e as namoradas? Ela sabia da existência delas. Poucas, é bem verdade, mas existiam. Até conhecera algumas... Havia, porém, no conceito que ele fazia sobre as mulheres, alguma coisa de negativo, de adolescente falando da mãe, negando...  Nas raras vezes em que comentaram algum encontro, a imagem que ele trazia das mulheres era demasiado dura, demasiado moralista.

Outro dado era os amigos.  Todos muito jovens e não era a ocupação que desenvolvia inteiramente responsável por esta faixa etária... Isto ela sacava, havia também a necessidade de dominar, de impor-se, autoritariamente, muitas vezes. Principalmente quando não era compreendido. Seria esta apenas a causa que o levava ao relacionamento com os mais jovens? Só isso então? Ela antes até poderia ter acreditado, agora...

Mas, por que o segredo? Ela poderia ficar meio triste, a princípio, caso ele se abrisse, mas depois o compreenderia, como sempre fizera. Quem sabe até ser uma aliada...? Pensou porém nas outras coisas, nas inúmeras coisas que não sabia, ou pelo menos que só tomara conhecimento muito recentemente, dos outros filhos: o desespero de um deles, aos dezenove anos, a ponto de planejar um suicídio – que só viera saber quando ele fizera vinte e três; a atividade bissexual da filha ainda adolescente; o amor do outro filho pelo melhor amigo...  Nem tudo eles contavam, nem tudo discutiam com ela. Por mais amiga que fosse era mãe, antes de qualquer coisa. Um deles falava mais sobre si mesmo, contava coisas, era mais aberto. Dos outros, porém ela só sabia, por eles mesmos, aquilo que eles queriam que ela soubesse. O demais ia sabendo juntando coisas, observando ou por terceiros, inadvertidamente.

Agora, a proximidade dela, ficando mais tempo na cidade em que ele morava, gerava tormento, para ambos. Ele parecia armar-se, cercar seu território com arame farpado e ficar à espreita, na cerca. Ela, magoava-se a cada vez que o procurava e encontrava a cerca armada. No fundo, porém, ela sentia uma profunda compaixão daquele seu menininho tão brilhante, tão gratificador por ter nascido, motivador dos outros nascimentos e agora parecendo afundar sob o peso enorme deste segredo sobre sua escolha sexual.

Ana - 56a 
Campinas / SP
Ana II
oje quero falar do assunto em pauta, AMIZADE.

Existe um sentimento, que os Cientistas Sociais chamam de "Pertencimento de Grupo" que hoje em dia é considerado fundamental para que o indivíduo sinta-se apoiado e conseqüentemente com auto-estima alta. Quando somos "diferentes", quando, sem querer, caiu um pouco de álcool no nosso frasco (quem não entender leia "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley), ou quando sofremos da "síndrome do zigoto errado", segundo Clarissa Pinkola Estés, em Mulheres Que Correm Com os Lobos (é muito bom!!!!) que significa mais ou menos a qualificação da história do Patinho Feio, isto é, um ovo diferente, num ninho, chocado, desenvolvido e nascido e depois sofrendo o diabo para encontrar sua verdadeira "família", sua família psíquica; sofremos da falta deste sentimento de pertencimento de grupo.

É que não conhecemos (ainda) nosso grupo e somos empurrados, escorraçados, ou simplesmente ignorados no grupo em que calhamos estar. Na Tese "A Imagem e o Silêncio: o lugar da mulher negra no séc. XIX" desenvolvi a teoria de que certa parte da população, consegue invisibizar um sujeito ou centenas deles, bastando senti-lo diferente.  E uma das fórmulas de se tornar visível é se juntar.  Um grupo coeso é mais difícil de ser tornado invisível.  

Principalmente se este grupo é consumidor, como as estatísticas veiculadas por vocês atestam. O complicador, porém de todo o grupo que quer tornar-se UM é a identidade. Vamos nos juntar sob que bandeira? É a pergunta, não muitas vezes consciente que aparece nos aglomerados.  Como o próprio editorial deste mês (AMIGOS) escreve, não é muito sólido um grupo baseado na opção sexual. Os amantes de homens, como diria Marion Zimmer Bradley na série Darkover (hoje estou que é só citação - desculpem, mas o assunto é sério e necessito de ajuda),  existem nas mais diferentes personalidades, o que inclui gostos, formação, modo de vida, visão de mundo, etc. Quando vocês fazem um corte epistemológico e cunham o designativo e-jovem, já estão se diferenciando de muitos que também são homossexuais.  

E a questão que surge é: como ficam nossos amigos antigos, devemos abandoná-los porque assumimos nova/diferente escolha sexual? Devemos nos fechar neste novo grupo nos autoconsumindo e retroalimentando? É claro que o afastamento daqueles que nos criticam o tempo todo e que não nos aceitam é necessário, mas e os outros? Tem um poema muito bonito de Álvaro de Sá carneiro, contemporâneo de Fernando Pessoa, musicado pela Adriana Calcanhoto, que diz assim: Eu não sou eu nem sou o outro/ sou qualquer coisa de intermédio/ pilar da ponte de tédio/que vai de mim para o outro."  

Acredito que a questão principal é a identidade. O quê somos nós?. E seremos responsáveis pelo que formos daqui a dez anos? E a dinâmica social? E a dinâmica energética que muitos de nós nem sabem que existe e que está funcionando a todo o vapor.  Ou vocês acreditam que os contestadores da década de 1960 surgiram acidentalmente?

Bem, após ficar literalmente sem chão, quando meu filho mais velho, alto, bonito, super inteligente, me dizer: "Mãe, eu tenho duas noticias p/você. Uma é boa e a outra surpreendente. Escolha a que quer primeiro”. E me revelar em seguida que, a boa noticia é que estava namorando há quase dois anos e a surpreendente era que a pessoa em questão é um menino; após sofrer uma dor que nem sei de onde veio mas que parece ter fundamento na questão da preservação da minha eternidade (que é feita através da descendência); mesmo a noticia não sendo tão surpreendente assim, já que o sentia "estranho", mas o máximo que conseguia pensar era num bisexualismos que poderia "ser corrigido com a maturidade"; após conhecer e observá-lo junto com o namorado; acredito que algo de novo está surgindo neste novo século e que não se trata apenas da questão sexual.  

Pode ser interessante o agrupamento, neste momento para que a questão do sentimento de pertencimento de grupo possa ter expressão, mas não acredito que vá parar por aqui, vislumbro paradigmas novos, mais contundentes, que ainda não sei o quê é, mas que sinto.

Aguardemos.
Ana - 56a 
Campinas / SP

Forum Teen | Forum dos Pais
Principal | Tema | Fun | Colunas | News | Forum | Apoio | Equipe
© Copyright E-jovem.com 2001. Todos os direitos reservados.
Ter seu nome e/ou imagem publicados neste site não indica necessariamente orientação sexual.
webmaster@e-jovem.com
Clique para o tema desse męsClique e divirta-se!Clique e confira as novas colunasClique para visitar o forum de depoimentosClique e confira a reportagem do męsClique para encontrar endereços e telefones úteis