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Nesta edição:
- Jovens gays cristãos escrevem ao papa
- Ato em defesa do Estado Laico
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Jovens gays cristãos escrevem ao papa
Eles pretendem provar a legitimidade moral das relações homossexuais e pedem mais respeito e acolhimento por parte da Igreja

Porto Alegre, RS, e Campinas, SP – “Provar a legitimidade moral das relações homossexuais e solicitar medidas no sentido de acolher e respeitar as pessoas, sem distinção de orientação sexual”. Essas são as principais reinvindicações da carta enviada pela Confraria de Jesus Adolescente à secretaria executiva encarregada da visita do papa Bento XVI ao Brasil, em maio. 

“Queremos que a Igreja aceite uma união homoafetiva legítima, fraterna e bela, à qual não se poderá sensatamente opor restrições,” afirma Tibério Lobo, de Porto Alegre, principal teólogo da Confraria. Segundo ele, a repressão atual traz pérfidas conseqüências aos jovens: reforço da marginalização, exclusão social e opressão, que pesam como estigmas sobre esta parcela da população. “Nada pode ser mais anticristão que isso,” conclui o teólogo.

A Confraria de Jesus Adolescente define a homossexualidade como uma ‘expressão da natural versatilidade criativa divina’ e, portanto, contrária a idéia de ‘ordem imutável’ imposta pelos dogmas católicos. “Pois se até a degradação machista da mulher existente no Novo Testamento já foi abandonada, por que não as críticas aos gays?” Segundo a carta, enquanto a Igreja pensar e agir contrariamente à prática saudável da homossexualidade, ela estará ferindo os princípios da democracia e dos direitos humanos, ignorando as maiores conquistas sociais do mundo moderno. 

Uma das reclamações do grupo é a de que a juventude homossexual, infelizmente, não está recebendo a devida orientação por parte da Igreja. O Grupo E-jovem de adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados estima que, no Brasil, 3 adolescentes gays cometam suicídio por dia. “Não caberia à Igreja tomar providências urgentes quanto a isso?”, pergunta a Confraria.

“É importante divulgar como os jovens gays vêem a doutrina católica,” explica Deco Ribeiro, de Campinas, presidente do Grupo E-jovem. “Afinal, a juventude é a base da sociedade. Ainda que o Estado brasileiro seja laico, ele não é desprovido de fé, pelo contrário: a Igreja ainda exerce uma influência muito poderosa. O papa dizer que a homossexualidade é um mal prejudica muita gente, católicos ou não.”

Membros da Confraria de Jesus Adolescente e do Grupo E-jovem participarão da vigília programada para a noite do dia 09 de maio, na Praça da República, em São Paulo, em respeito a todos os gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais que morreram por causa de perseguições de fundo religioso. “Vamos rogar a Nossa Senhora Aparecida pelo fim da homofobia,” afirma Deco Ribeiro.

A Confraria de Jesus Adolescente se define como um grupo formado por jovens espiritualistas, de caráter ecumênico, que aceita e inclui até facções consideradas fora do cristianismo tradicional, como os judeus, os neo-pagãos e outros. “Mas sempre tendo Jesus como referência”, explica Tibério. Uma geração de jovens contestadores, inquiridores, inspirada pelo Jesus menino de Lucas 2:42-47, que discute com os anciãos do Templo ao defender a sua interpretação das Escrituras. É  ligada ao Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados, a maior organização do país em defesa da juventude e da diversidade sexual, com mais de 3.600 membros. A carta, de 8 páginas, foi escrita coletivamente e é um libelo a favor da homossexualidade, levando em cuidadosa consideração o catequismo e os escritos da Igreja. 

Íntegra da carta: www.e-jovem.com/confraria.html
 

CONTATOS PARA A IMPRENSA:

Confraria de Jesus Adolescente – Tibério Lobo: tiberiolobo@yahoo.com.br

Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados – 
Deco Ribeiro: deco.ribeiro@yahoo.com.br


ATO EM DEFESA DO ESTADO LAICO
"Cada vez que a Igreja fala, uma voz é silenciada"

No próximo dia 9 de maio, chega ao Brasil o papa Bento XVI, uma dos principais vozes do
conservadorismo contemporâneo. Nessa mesma data, às 19h, na Praça da República, em São Paulo, a comunidade GLBTT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais) irá realizar um ato em defesa do Estado Laico.

Sob o lema "Cada vez que a Igreja fala, uma voz é silenciada", terá início nesse horário uma vigília pelos nossos mortos: aqueles que morreram em ataques homofóbicos, aquelas que morreram porque não puderam abortar ou o fizeram clandestinamente, aqueles morreram porque não usaram camisinha e ficaram sujeitos a graves doenças.

Solicita-se aos participantes que vistam trajes pretos, portem um triângulo rosa no peito e levem uma vela na mão.

O ato será pacífico e em silêncio.

Antes e durante o ato será divulgada uma carta sobre a manifestação e sua relação com a vinda do papa ao Brasil, reforçando a laicidade do Estado.

Aqueles que não puderem comparecer a São Paulo estão convidados a replicar a vigília em suas respectivas cidades, no mesmo dia e horário, nos mesmos moldes, em frente a igrejas ou em locais significativos - seja para o movimento gay de sua região, seja para fazer referência ao papa.

O ato é organizado pelo Fórum Paulista GLBTT, formado por cerca de 40 ONGs de todo o Estado, e conta com o apoio da ABGLT - Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros.

Observações:
    * Foi decidido que a vigília seria na Praça da
      República e não no Mosteiro de São Bento por questões
      logísticas. O espaço do Largo de S. Bento é pequeno
      e terá a presença de muitos católicos, o que poderá
      criar conflitos desnecessários, uma vez que a
      proposta do fórum paulista é fazer uma manifestação
      pacífica. Além disso, a Praça da República é
      significativa para a história GLBTT paulistana, tanto
      por ser ali um ponto de encontro de homossexuais há
      décadas e de ter sido palco para o assassinato do
      homossexual Édson Néris.

    * Aconselha-se levar copo de plástico para a vela não
      apagar.



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Você
Sabia?

ue o comportamento homossexual é muito mais natural do que se pensa??

O famoso Dr. Kinsey, autor de "Sexual Behaviour of the Human Male" - estudo que tem fundamentado tudo o que se diz sobre sexualidade masculina desde meados do século passado - afirma em seu livro que o motivo pelo qual homofóbicos se opõe a homossexualidade é bem simples: o medo do crescimento da atividade homossexual. Conclui o Dr. Kinsey que com menos homofobia haveria muito mais homossexualidade. Ao se remover a pressão social que reprime a atração pelo mesmo sexo, o desejo homossexual cresceria e se espalharia naturalmente em larga escala. 
Por outro lado, a heterossexualidade parece estar em baixa: os vultosos recursos investidos pela sociedade e a mídia na promoção da heterossexualidade (vide comerciais de cervejas a bancos) só pode levar a crer que essa é uma orientação pouco atrativa, e que a população tem que ser constantemente bombardeada com os valores heterossexuais para poder se manter nesse rumo...

(Fonte: MiX Brasil)
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