ELEIÇÕES
2002
Candidatos GLTs não
conseguem se eleger
A comunidade gay terá de contar
com o apoio de políticos simpatizantes para defender seus interesses
no Congresso Nacional e nas assembléias legislativas. Nenhum dos
candidatos GLTs conseguiu se eleger, ficando para os simpatizantes a tarefa
de lutar pela causa gay. A candidata homossexual com melhor desempenho
foi a mineira Soraya Menezes (foto), que obteve mais de 150 mil votos.
No entanto, ela disputava uma vaga no Senado Federal pelo PSTU e não
foi eleita. Beto de Jesus (PT-SP), que como presidente da Parada do Orgulho
Gay de São Paulo levou mais de 500 mil pessoas às ruas de
São Paulo, não conseguiu nem 15 mil votos. Katielly Lanzini
(PFL-SC), que fez muito barulho em sua campanha, conquistou apenas 2.201
eleitores. Entre os simpatizantes foram eleitos Carlos Minc (PT-RJ), Maria
José Maninha (PT-DF), Ítalo Cardoso e Renato Simões
(PT-SP), Maria do Carmo Lara (PT-MG), entre outros.
Comunidade GLBT comemora eleição
de simpatizantes
Passada
a frustração com o fraco desempenho de candidatos GLTs nas
urnas, a comunidade gay comemora agora a eleição de simpatizantes.
De todo o Brasil chegam mensagens celebrando a vitória de parlamentares
petistas que vêm se destacando pela sua atuação na
luta contra o preconceito. Em Recife, Isaltino Nascimento, autor da lei
que pune atos discriminatórios contra gays no município de
Recife, foi eleito deputado estadual. Em São Paulo, Ítalo
Cardoso e Renato Simões, esse último autor da lei antidiscriminatória
do estado de São Paulo, se elegeram com mais de 90 mil votos - bom
desempenho para candidatos a deputado estadual. Em Brasília, Érika
Kokay e Maria José Maninha com as quais o movimento GLBT vem trabalhando
em parceira foram eleitas respectivamente deputada distrital e federal.
No Rio, Carlos Minc, autor de duas leis estaduais que garantem direitos
a homossexuais, foi o candidato a deputado estadual com maior número
de votos no Rio de Janeiro (119.863). Minas Gerais também elegeu
políticos simpatizantes: Maria do Carmo Lara e Leonardo Mattos representarão
o estado na Câmara dos Deputados e Biel atuará na Assembléia
Legislativa. A nota triste vem do Rio Grande do Sul: Marcos Rolim, que
tenta aprovar emenda incluindo o termo "orientação sexual"
no artigo 5o da Constituição, não conseguiu se reeleger.
Serra é cuidadoso
ao se posicionar sobre união civil
Em entrevista coletiva realizada
na quinta-feira (10), em que foi anunciado o apoio da Assembléia
de Deus ao candidato do PSDB, um repórter perguntou a Serra se ele
era a favor da união civil de homossexuais. "Sou 100% família",
driblou o candidato. Ao longo da campanha, o candidato afirmou que "não
compete ao Estado qualquer interferência nas relações
entre dois adultos livremente consentidas," dando a entender que não
vetaria a lei se o Congresso a aprovasse.
Líderes evangélicos
querem desfazer boatos prejudiciais a Lula
Líderes evangélicos
que apoiam a candidatura de Luis Inácio Lula da Silva no segundo
turno estão empenhados em "melhorar" a imagem do candidato junto
aos fiéis. "Vamos falar para eles que não tenham medo de
boatos falsos de que Lula vai perseguir os evangélicos, vai fechar
as igrejas, vai aprovar o casamento gay, vai fazer o primeiro casamento
de homossexuais no Palácio do Planalto, vai fazer o aborto indiscriminado,
que são boatos que sempre lançam na época de campanha",
afirmou o deputado federal bispo Rodrigues (PL-SP) ao jornal "o Globo".
Ele disse ainda que vai explicar aos evangélicos que projetos de
como a parceria civil de homossexuais dependem da aprovação
do legislativo. "Com quase 60 evangélicos [no Congresso Nacional],
uma lei desse tipo não tem condição de passar", afirmou.
Dão apoio a Lula as igrejas Universal Reino de Deus, Batista, Presbiteriana,
Adventista, entre outras denominações. |