PSI

por Fernando A. Pocahy
Na rede, a vida convida 

Bytes de tesão e vetores de possibilidades são a medida das ferramentas internáuticas que temos pra surfar nas ondas da existência. Na rede, a vida convida- nos às suas delícias, mas também aos seus dissabores e suas ciladas. Pode ser tanto uma janela para o mundo, quanto uma grade que nos separa das coisas comuns, palpáveis, de sentidos e intensidades diferentes.

Saca só: se pudermos conceber que somos todos seres que se compõem das coisas que estão a nossa volta - tecnologias, mitos, hábitos, estéticas, filosofias, redes existenciais, e muito mais, chegaremos à compreensão de também nossos desejos e nossos modos de vida são matizados por aí. Então, tudo pode ser bom ou ruim, dependendo mesmo do jeito que a gente faz, do tempo em que elas acontecem, do quanto conseguimos construir e sustentar uma certa singularidade, de nossa porosidade. 

O lance uÓ, hoje em dia, é que parece que todos têm que operar num mesmo tempo e intensidade, atendendo à exigência de sermos velozes, fugazes, gostando das mesmas coisas, falando do mesmo jeito, enfim, feito gente-em-série, colado em identidades que inventaram pra gente. 

Por isso, amiguinhos, quanto mais nos dispusermos a uma espécie de nomadismo existencial, transitando entre territórios, conhecendo pessoas diferentes, experimentando o gosto das coisas, sentido o cheiro da vida e as nuanças das cores que fazem a paisagem que está a nosso redor, nos tornaremos mais espertos, solidários, descolados e mais felizes. E aí, menos suscetíveis às capturas do mundo individualista e excludente. 

Vamos produzir encontros (e ótimo que ele comecem também pela internet), mas vamos torná-los reais,
palpáveis, sensíveis às nossas diferenças mais preciosas, que só aparecem diante de um campo de forças de suscetibilidade, ou seja, coisa de pele, de energia pura, humana, sem proteção (ops!!! Explico o sem proteção: nada de escudos, armaduras ou outros mecanismos que nos impedem de sentir a vida e de
curtí-la, mas cuide-se, cuide de seus amigos, de seus parceiros, cuide do mundo). 

A internet é ótima, vale a pena, nos coloca em contato com o mundo. Mas é apenas um meio, uma ferramenta. Somos humanos, e por isto, sensíveis, frágeis, mas também fortes e astutos; feitos de desejo(s), na rede pela vida!!! 

Um abração!!
Fernando A Pocahy
Psicólogo

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