Homossexualidade Na Escola

Anderson Santos
reporter@e-jovem.com

A escola, primeira vida social da criança e do adolescente, é o lugar onde aprendemos a história da nossa e de outras sociedades, lógica e línguas, política e diversos outros assuntos. Mas será que aprendemos tudo o que necessitamos? Será que a escola prepara os alunos para enfrentar a vida? Pois não podemos esquecer que os alunos são seres humanos, têm sentimentos, problemas, conflitos e a escola deve auxiliá-los em todos esses pontos também...

Existe o ditado "A escola é nossa segunda casa", não?  Mas a realidade dos alunos e a das escolas é mais difícil, variando de lugar para lugar. O preconceito e a desinformação está incrivelmente acentuada nos jovens. As direções de escolas muitas vezes fecham os ouvidos para não participar de conflitos. Em escolas particulares o caso se complica pelo fato de que a imagem da escola deve ser de agrado aos pais, e isto termina muitas vezes na indiferença para não serem tachadas de disseminadoras de homossexualidade ou qualquer outro tabu. O colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo, para driblar este problema e auxiliar todos os alunos, possui uma matéria específica para tratar dos problemas sociais, e um dos temas tratados nessa aula é exatamente a homossexualidade. 

Nas escolas da rede pública não acontece o mesmo, pois a grade curricular não é voltada para esta formação, mas ainda assim alguns professores tomam a iniciativa e tratam deste assunto nas suas respectivas matérias. Um exemplo disto é a prof.ª de Biologia Maria Elvira Martins de Souza, que quando é possível aborda a homossexualidade enquanto fala sobre sexo nas suas aulas, tentando quebrar toda a desinformação que muitas vezes existe nos alunos. “Eu tento ajudar no que posso, pois sei que esta é uma fase onde os alunos são preconceituosos para manter um status. Sei de alunos meus que têm problemas particulares e que desconfio que têm dúvidas sobre a sua preferência sexual, mas não posso fazer nada, afinal estes ao vêm  me procurar. Porém, ainda assim, tento esclarecer as dúvidas mais comuns desta fase para a classe toda”, disse ela. Na opinião da Profª de História Regina Helena Barella Pepe, um dos problemas é que o próprio corpo docente não está preparado para enfrentar uma situação destas. Ela conta um caso onde um amigo dela, também professor, era homossexual e sofria preconceito dos seus colegas de trabalho. “É difícil ajudar um aluno sendo que a direção da escola não está aberta para essa realidade, e os professores não estão esclarecidos”, completa. 

Na Escola Técnica Estadual (ETE) Jorge Street em São Caetano do Sul houve um caso de um aluno que sofreu repressões pelo seu jeito e a escola interviu para que o caso não se complicasse, conversou com os pais e os alunos para explicar que há diferenças que devem ser respeitadas. Já no caso do Colégio Jesus Maria José, o aluno Paulo (nome fictício) é assumido e sofre preconceito dos colegas, sendo que muitas vezes ele tem de impor o seu respeito. Mas apesar de tudo, a escola preferiu não intervir. A coordenadora dos alunos da ETE Jorge Street, Neide Maria I. Marques falou de questões como esta: “Nós não podemos abordar o aluno e questionar sobre a situação, pois não temos certeza, temos que esperar que ele venha a nós pedindo auxílio, e então depois intervir”. Na opinião do psicólogo e professor da Faculdade de Educação da USP, Julio Groppa Aquino, uma boa alternativa para as escolas é trabalhar a homossexualidade de forma integrada ao currículo escolar.

Quando questionadas sobre a possibilidade de relacionamentos homossexuais nas escolas, porém, as mesmas mantiveram-se em silêncio, não afirmaram que aceitariam, e a maioria disse que há leis internas que proíbem o relacionamento de alunos até mesmo heterossexuais, nas dependências da escola. 

Os alunos das escolas possuem também muita dificuldade para tratar deste assunto. Muitos não possuem opinião formada ou possuem informações errôneas. 45% dos entrevistados das escolas já tiveram contato com homossexuais assumidos, e 30% destes são amigos. Desta porcentagem, 90% estão no segundo e terceiro ano do Ensino Médio, fase em que o jovem já está mais esclarecido. 50% dos entrevistados que possuem amigos gays dizem que tinham preconceito, mas deixaram de lado depois que conhecerem alguém pessoalmente. No Centro Interescolar Municipal (CIM) Alcina Dantas Feijão em São Caetano do Sul, há o caso de Fábio (nome fictício), que sofre preconceito pelos alunos. “O preconceito vai existir em qualquer lugar, mas é claro que varia de região para região. Dou aula em uma escola de classe baixa onde um aluno é assumido e tem de impor  respeito para poder se manter vivo, enquanto que na ETE Jorge Street, há você (referindo-se ao repórter Anderson Santos) que por si só já mantém um respeito, e não existem ofensas direcionadas. A educação, o ambiente e a pessoa em questão são fatores que inegavelmente influem, ficando difícil generalizar o que acontece com o jovem homossexual na escola.”, diz a profª Elvira sobre o assunto. 

Tudo isto mostra que a sociedade aos poucos vem ficando mais aberta para assuntos do gênero - mas essa é uma questão que ainda tem um longo caminho a percorrer...

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