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Editoriais

Campinas, 19 de setembro de 2011
Olá, meus amores!!

E o E-JOVEM faz hoje 10 anos!! 

Há dez anos eu ainda era um adolescente no interior de Minas, na cidadezinha de Boa Esperança, e nem imaginava que estaria presidindo uma ong anos depois... Eu lembro que cheguei a trabalhar de apanhadora de café, em fazendas da região, e a temática gay só surgia ali nas plantações nos braços fortes de algum trabalhador do campo... Ai ai...! rsrs

Mas isso é passado. Nesse meio tempo, Deco Ribeiro começou esse fervo todo (confira aqui a primeira edição do site, de 10 anos atrás), que alcançou o Brasil, a imprensa, o Governo, recebeu vários prêmios e caiu aqui no nosso colo. Gerou até frutos, como a Escola Jovem LGBT, a primeira escola gay do país, que ta aí bombando. 

E, apesar de termos muito pra dizer sobre o passado, quero celebrar esses 10 anos convidando você a olhar para o futuro. Afinal, 2011 tá acabando, mas ainda tem coisa à beça pra acontecer.

Lema do ano: “Fazer pouco, mas fazer bem feito”
2011 foi definido como o ano de reorganizarmos nossas forças. Estamos dando especial atenção aos E-grupos e priorizando UM grande tema: Educação, por meio do nosso programa Escola Amiga (também conhecido como 6 Passos para Acabar com a Homofobia), que está descrito em detalhes no texto abaixo. 

“Fazer pouco, mas fazer bem feito.” Essa é a ideia que rege 2011 e deve servir de parâmetro para os próximos 10 anos. Vamos focar no básico. E o básico, tem a ver com a Escola Amiga, com os E-grupos e com a organização do E-JOVEM como um todo. 

E-grupos: celebrando nossas datas mais importantes
Além de bombar o Escola Amiga, organizar os encontros e marcar presença na internet, outro dever de todo E-grupo é celebrar nossas datas mais babadeiras. Pra quem acha que só de Dia do Orgulho LGBT vivem as gay, meu beim, segue abaixo todos os dias que podem gerar atividades especiais e muito fervo para a galera da sua cidade. 

Que tipo de atividade? Vale qualquer coisa: pode ser um encontro especial do grupo, tendo o tema do dia como assunto das discussões; um filme que trate do assunto; alguma festa na casa de alguém ou numa boate; uma manifestação na rua; distribuição de materiais do grupo; um show em praça pública e não podemos esquecer também que você pode juntar a galera para fazer um video para o youtube... Se joga querido seja criativo!! O importante é a data ser lembrada e o tema ser levado à sociedade e aos demais adolescentes e jovens LGBT da sua cidade.

Anote então o Calendário Oficial E-jovem:

29 de janeiro – Dia da Visibilidade de Travestis e Transexuais
13 de fevereiro – Dia das Mães e Pais de LGBT
16 de abril – Dia do Silêncio (contra a homofobia na escola; a foto ao lado mostra o evento em 2010)
17 de maio – Dia Mundial de Combate à Homofobia 
28 de junho – Dia do Orgulho LGBT
16 de julho – Dia Internacional das Drags
19 de julho – Dia Nacional da Juventude LGBT
29 de agosto – Dia da Visibilidade Lésbica
19 de setembro – ANIVERSÁRIO DO E-JOVEM: 10 ANOS!
23 de setembro – Dia da Celebração Bissexual
11 de outubro – Dia Nacional de Sair do Armário
1 de dezembro – Dia Mundial de Combate à Aids

Tem atividade aí pro ano inteiro! Arrasem!! Perto de cada data a gente vai orientar melhor, ajudar nas celebrações, fiquem tranquilos. E lembrem-se: o objetivo de tudo não é ficar estressado com um monte de data, mas se divertir. :D

2011: Ano de Conferências
E, finalmente, 2011 está sendo o ano das conferências mais importantes pra nossa galerinha: Conferência da Juventude e Conferência LGBT. Ambas devem acontecer no final do ano, em Brasília. Até lá, acontecerão etapas estaduais nos 27 estados e etapas municipais em todas as cidades que conseguirem organizar uma conferência – e é aí que a gente entra. 

Muitas conferências municipais e regionais já estão acontecendo. As estaduais devem rolar todas no mês que vem. Vamos participar ativamente desse processo, agitar com outros movimentos de juventude e LGBT, até tomando a iniciativa de convocar as conferências locais, se for preciso. Encher o saco das prefeituras, coordenadorias ou secretárias de juventude e LGBT, para que apoiem e financiem esses encontros. 

Mas, principalmente, vamos usar esses espaços para mobilizar nossa galera e reforçar o diálogo e o debate na base. A ideia é ter bastante gente nossa nas etapas estaduais e uma grande tropa de E-jovens em Brasília, na etapa nacional. 

Quem sabe a gente não faz uma grande Conferência Nacional do E-jovem por lá?? Acho beauty!! 

Resumex
A ideia então, meus anjos, é que TODO grupo E-jovem, em CADA cidade:
• Agite o Escola Amiga;
• Celebre as datas do Calendário Oficial;
• Agite pelo menos UM grande encontro da juventude LGBT, pra mobilizar a galera para as Conferências de Juventude e LGBT;

Além, claro, dos encontros semanais (ou quinzenais) e da presença na internet.

Ufa! Tranquilo, né? Qualquer dúvida, já sabem: é só gritar.

E vamos comemorar assim: trabalhando pela juventude LGBT. Porque se não é a gente a lutar por nós, não será ninguém.

Bjimm e que venham mais 10 anos,

Lohren Beauty


ESCOLA AMIGA: Combatendo a homofobia na escola

O nosso grupo tem dois grandes projetos na área de Educação: a Escola Jovem LGBT, que funciona em Campinas (SP) e inaugura uma nova forma de valorizar nossa cultura; e o Escola Amiga, que também é conhecido como 6 passos para acabar com a homofobia.

Amores, é na escola que os jovens começam a desenvolver suas habilidades sociais e compreender o conceito de sociedade. Também é na escola onde a galera conhece pela primeira vez o preconceito. 

Dessa forma, fica claro que se infiltrar nesse espaço é essencial na luta contra a homofobia. Não adianta nada lutar contra o preconceito entre os adultos se a escola continuar, ano após ano, a criar novos homofobicozinhos. Ignorar essa questão é uma violência contra milhões de adolescentes e jovens LGBT que passam momentos de terror na escola, chegando a abandonar as aulas ou a viver uma mentira. Eles só gostariam de ser felizes sendo o que são de verdade. E é dever da escola garantir isso. 

Em 2007, em um seminário internacional na Europa, 66 Diretrizes para uma Educação Sem Homofobia foram elaboradas pela IGLYO - uma rede internacional de adolescentes gays da qual o E-JOVEM é o único membro brasileiro. Foi o Deco Ribeiro, diretor da Escola LGBT, quem traduziu o documento para o português, ajudando-o a ser lançado em Portugal, no Brasil e na África. Uma escola que aplicasse todos os 66 pontos do plano seria a escola dos nossos sonhos.
Mas, espremendo o documento, conseguimos chegar a 6 passos básicos, que seriam um belo começo. Quem quiser começar a fazer a diferença na sua escola, pode começar pelos itens abaixo.

Para acabar com a homofobia, é dever de toda escola:

1. Ser um ambiente seguro. Um ambiente que garanta um aprendizado seguro, no qual intimidações ou discriminações de qualquer tipo, incluindo homofobia e transfobia, não sejam toleradas, mas punidas. Isso deve ser divulgado publicamente. 

2. Encorajar, apoiar e empoderar os gládios (grupos estudantis sensíveis à questão LGBT e/ou de combate à homofobia) ou a criação de grupos de apoio a estudantes LGBT nos grêmios escolares. 

3. Ter uma política de combate ao bullying que seja direcionada a todas as formas de discriminação, e explicitamente se referir ao bullying homofóbico e transfóbico. Essa política deve proteger todos os membros da comunidade acadêmica, ser respeitada por todos e ser revisada regularmente por membros da comunidade acadêmica para verificar sua eficácia. Todos os professores devem receber treinamento para reconhecer e agir em caso de bullying homofóbico e transfóbico. Esse treinamento deve informá-los como reagir a esse bullying e como reduzir sua incidência e poderá ser oferecido por meio de parcerias externas (com ongs especializadas, por exemplo).

4. Incluir material LGBT em sua biblioteca. Podem ser livros com personagens LGBT ou livros que tratem especificamente de questões LGBT. Materiais LGBT como cartazes e panfletos divulgando grupos e serviços voltados a jovens LGBT dem ser livremente exibidos nos murais de avisos da escola.

5. Disponibilizar apoio individual e/ou em grupo, oferecido por um orientador capacitado ou uma pessoa voluntária de confiança, a estudantes que queiram conversar sigilosamente durante ou fora do período de aulas. Tanto a pessoa de confiança quanto qualquer orientador deve ser capacitado em questões LGBT e explicitamente e publicamente deixar claro que está aberto a conversar sobre tais questões.

6. Incluir perspectivas LGBT e materiais não-homofóbicos em seu currículo, tanto como parte de materiais genéricos quanto, se possível, como materiais específicos para lidar com questões LGBT. Materiais, livros didáticos e professores devem usar exemplos LGBT, tanto em questões, exercícios e trabalhos quanto em suas fontes. Toda capacitações em Direitos Humanos deve sempre abordar questões LGBT.

O que os E-grupos devem fazer? Conseguir que o maior número de escolas da sua região assuma compromisso com esses seis pontos – e, a partir daí, ir monitorando o ambiente escolar para ver se os passos estão sendo cumpridos direitinho. O termo de adesão pode ser baixado aqui. As escolas que cumprirem ganharão o selo de Escola Amiga dos LGBT - e poderão até ganhar um prêmio, quem sabe?

O bom é que, de acordo com o item 2), cada escola dessas vai criar um gládio, que vai responder ao E-grupo correspondente. Cada E-grupo, dessa forma, fica muito mais forte, com muito mais ligação com a base, a juventude LGBT. Acho beauty!

Lohren Beauty

Outros temas:

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Gládios Revolution

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Vitória gay em Campinas!
Carta do Presidente #1

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