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| Esse
mês, temos dois textos que já foram publicados em outros lugares,
mas que, de tão bons, mereceram uma re-edição.
O primeiro foi publicado no primeiro número do jornalzinho do Diretório Acadêmico da minha faculdade, a FACAMP (Faculdades de Campinas). Tem muito a ver com VIVER e com querer viver a vida do jeito que ela é, sem ter que fingir mais - por isso que eu estou republicando-o aqui. Vocês vão ver que é um texto mais voltado para os heteros (no caso, os da minha faculdade), mas que ele traz algumas palavras aos garotos e garotas gays também. Espalhem esse texto se acharem que deve e ajudem a acabar com essa hipocrisia disfarçada de moralismo e homofobia que existe por aí. Ainda. O segundo foi publicado no blog Banheiro Masculino e, bom, acaba de uma vez com aquela questão de se as Paradas servem pra alguma coisa ou são apenas carnaval e putaria... Divirtam-se! Beijo do Deco :)
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“Seja ousado, e forças poderosas virão ajudá-lo.” – Goethe Sou um estudante da FACAMP, faço jornalismo e sou gay Alguém uma vez escreveu que a vida real de uma pessoa é muitas vezes aquela vida que ela não leva. Isso foi verdade pra mim por muito tempo. Imagine como é duro sentir uma coisa e fingir outra, todo o tempo, por anos e anos. Gostar de pessoas e nem você mesmo aceitar isso, quanto mais elas. Toda a faculdade (ou seus amigos ou seus pais) simplesmente assumir que você é hetero e ponto, sem se importar com o que você realmente sente. O que não entendo é
por que todo mundo tem tanto medo de encarar esse assunto. Basta uma olhada
no Google para encontrar milhares de pesquisas sobre qual porcentagem da
população é gay, número esse que varia de 4
a 10%. Toda família tem um homossexual; se você tem mais de
10 amigos, há grande chance de um deles ser gay. Você os amaria
menos se soubesse? Numa faculdade do tamanho da nossa, pode-se dizer seguramente
que há uns 50 alunos homossexuais. Pense nisso. Eu mesmo sei de
meia dúzia. Onde estão as dezenas de outros?
Em todas as salas, todos os cursos. Com certeza algum colega de classe seu, talvez seu melhor amigo - ou até mesmo você - está sofrendo pelo simples fato de ter de passar a vida fingindo ser heterossexual. E enquanto todos se divertem na Usina, ele está se sentindo sozinho ou culpado ou assustado, sem ninguém pra desabafar sobre o que está sentindo. É fácil zoar, mas eu gostaria que todos pensassem nisso sem preconceito, por um minuto que seja. E enquanto pensam, queria dar uma palavrinha aos alunos gays da FACAMP. Não sei se vocês conhecem um jogo de RPG chamado “Vampiro: A Máscara”. Nesse jogo, Vampiros existem no mundo todo, mas precisam viver se escondendo, fingindo que não são o que são, e assim evitar que a sociedade os descubra, os cace e os destrua, numa nova Inquisição. Parece familiar, né? Poizé – vivemos num mundo de RPG. Cada garota ou garoto gay, ao longo de sua adolescência, vai criando um personagem para interpretar perante os pais, os amigos, a escola... Alguns se escondem por trás da Máscara por dez, vinte anos – sem nunca conseguir se livrar desse faz-de-conta. Eu, por exemplo, passei 17 anos da minha vida nessa fantasia. E quer saber? É um jogo que cansa. Nos últimos quatro anos, eu não via a hora daquilo acabar, de me livrar da Máscara de vez. E quando finalmente o fiz, descobri que todos gostaram muito mais de mim mesmo do que do personagem que eu havia criado. É isso que eu queria passar
a vocês: Dêm uma chance a si mesmos. Antes de criarem um personagem
hetero e se esconderem atrás dele durante a melhor parte de suas
vidas, deixem as pessoas conhecerem-no pelo que você é. Dessa
forma, a sociedade vai poder ver que nós não somos Vampiros
– somos pessoas normais, que não vamos chupar o sangue de ninguém
e só queremos viver a nossa vidinha, como todos vivem as suas.
Sem Máscaras. Outros Temas:
Orgulho
Gay
Ontem, fui na parada do orgulho gay do Rio. E no meio de 100 mil pessoas, diante do céu azul de Copacabana e das enormes bandeiras do arco-íris eu me senti muito orgulhoso. Por um momento vi toda minha vida passar na minha mente como num filme. Eu me lembrei da minha infância, dos meus pais heterossexuais, dos meus tios heterossexuais e de toda a minha família heterossexual. Recordei de todas as histórias que ouvi quando criança, das princesas e seus príncipes encantados, de Romeu e Julieta e de todos os casais heterossexuais. Também lembrei das novelas e filmes, dos pares apaixonados, de Lagoa Azul, de Love Story, de Amor sem Fim e de muitas cenas de beijos tão poéticos entre homens e mulheres. Pensei nas músicas românticas, onde ele cantava sempre p/ ela e ela cantava o amor que sentia apenas por ele. Não posso esquecer de todos os casais de namorados, meninos com meninas, que andavam de mãos dadas nos shoppings ou se beijavam nas praias, nas ruas e em todos os lugares enchendo o mundo de poesia. Existiram garotas que beijei na escola. E todo um mundo heterossexual, esperando que meu futuro fosse como o de todos: encontrar uma mulher, casar e ter filhos. Mas lembrei dos meus 19 anos, quando descobri que eles também podiam se apaixonar por eles e elas por elas. Do dia em que conheci amigos que me mostraram que eu não era obrigado a ser como todo mundo. Como foi marcante o dia em que tive coragem de contrariar todos os valores que me tinham sido apresentados e me permiti sentir algo a mais pelo rapaz da minha idade que no futuro me daria o primeiro dos primeiros inesquecíveis beijos entre meninos. Depois daquele momento ouvir Renato Russo cantando que gostava de meninos e meninas começou a representar uma atitude na minha vida. Como eu fui forte em desafiar a ordem das coisas e me tornar livre para amar quem eu quisesse. E ali na parada eu pude olhar para os meus amigos. Amigos que também enfrentaram um mundo de preconceitos para estar na parada, diante de todos e poder mostrar o que sentem e o que pensam. Como eu tenho amigos corajosos. Eu sei que na segunda-feira tudo
vai continuar como sempre foi. Eu vou voltar para o meu trabalho onde o
meu chefe e todos os colegas são heterossexuais. Vou voltar a andar
nas ruas onde a maioria que passa é
Não vai ser fácil. Mas também penso que posso fazer a minha parte. E que não devo nunca desistir de tentar ser feliz. E que eu e todos os meus amigos, gays, lésbicas, negros, brancos, homens e mulheres podemos ter muito orgulho uns dos outros. LUCAS
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