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Editoriais
 
Grupo E-jovem em ação!
Aliança E-jovem

Deco Ribeiro

Estou aqui hoje para convocar uma Aliança. 

Uma aliança para unir Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais.... e Heteros. Para o E-jovem, a partir de agora, todos terão espaço como nossos Aliados na luta pela visibilidade de adolescentes gays e lésbicas, facilitar seu convívio com a família, em casa, e com os amigos, na escola e estimular sua integração com outros garotos e garotas heterossexuais. 

Bom, mas do que trata então? A idéia é fazer algo na linha das Gay/Straight Alliances dos Estados Unidos. As GSAs foram criadas com o propósito de fiscalizar a aplicação de uma lei da Califórnia que proíbia a discriminação contra homossexuais - e punia a escola que não oferecesse um ambiente saudável para o aluno gay e a aluna lésbica estudarem. Ou seja, se a escola se omitisse em proibir os abusos, ela seria enquadrada tanto quanto os agressores. Essa lei foi um marco no movimento gay americano, que resolveu fundar 'clubes gays' em cada escola, para que os próprios alunos discutissem a questão e denunciassem os abusos diretamente. E o mais curioso: esses clubinhos eram formados por alunos gays e heteros, pela primeira vez participando juntos do movimento. 

Aqui no Brasil, este ainda é um essunto polêmico e muito já se discutiu sobre se a participação de heterossexuais seria válida ou não. Até a participação de bissexuais - por incrível que pareça - ainda é questionada! O estado de São Paulo saiu na frente ao aceitar definitivamente o movimento bissexual - mas em outros estados do país essa questão ainda levanta debates. E os heteros são aceitos pontualmente: um grupo aqui, outro ali...

Pra nós, do Grupo E-jovem, essa questão é fundamental. Gente, não adianta a gente se fechar em guetos exclusivamente gays e querendo que, assim, a sociedade nos aceite. Temos que envolvê-la, nos apresentar a ela, fazer com que ela nos conheça. E principalmente: ter heterossexuais envolvidos na causa gay mostra pra todo mundo que essa luta é justa, é uma luta por direitos humanos - e não algo de um bando de gays lutando por causa própria. Mães, pais e irmãos de gays já se envolveram nesse movimento, ainda que timidamente, e muitos heteros amigos de gays e lésbicas também têm participado, ainda que de forma tímida. O que queremos é oficializar isto. 

O Escola Jovem, por exemplo, o principal projeto do grupo. Ao envolver jovens de uma escola em torno do tema homossexualidade, não necessariamente todos os jovens ali serão gays. Mas todos estarão debatendo a questão, sejam eles heteros ou homo. Ao longo do projeto, espera-se que diminuam as barreiras de preconceito existentes entre jovens heterossexuais e jovens gays, de modo que ambos os grupos possam interagir e conviver em harmonia, sem que um dos grupos negue a sua identidade. A idéia é evitar que heteros sejam heteros apenas entre heteros e gays sejam gays apenas entre gays e que um grupo precise se anular para conviver com o outro (um garoto gay precisar fingir que é hetero para ser aceito numa classe, por exemplo). Com homo e heterossexuais trabalhando juntos para eliminar o preconceito, um novo vínculo, uma nova forma de interação entre as pessoas surgirá. Martin Luther King, em seu célebre discurso “Eu tenho um sonho” comentou sobre algo parecido - mas ali ele falava sobre a presença de militantes brancos lutando pela causa negra. Ele disse que essas pessoas brancas (no nosso caso, os heterossexuais) “perceberam que seus destinos estão ligados ao nosso destino e que a sua liberdade está intrinsecamente ligada à nossa liberdade. Não podemos andar sozinhos”. 

Esse também é o nosso sonho. Que um dia não andaremos mais sozinhos, mas lado a lado: heterossexuais, homossexuais, bissexuais, travestis e transexuais.

E o que você pode fazer?? Que tal trazer amigos e familiares heteros pra conhecer o site? Ou, se você frequenta algum E-grupo, que tal convidá-los às reuniões? E, por que não, se envolver no projeto Escola Jovem e ajudar a espalhar essa semente pelas próximas gerações de brasileirinhos??

Porque um mundo sem homofobia é possível. =)

Deco Ribeiro
é Fundador do E-jovem

Outros Temas:

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E-jovem: A Máscara - Carnaval
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Namorar um Bissexual - Bissexualidade
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Heterofobia

Diogo Coelho

Apesar de todo o preconceito existente, há uma nova ameaça à boa relação entre a comunidade GLTTB e o resto da sociedade. E, por incrível que pareça, não vem por parte da segunda, e, sim, da primeira. A heterofobia e a intransigência cada vez se tornam mais comuns na cultura gay, principalmente entre os jovens.

Uma característica permanente na lida com a homossexualidade, e mais comumente na parte intrínseca à juventude, é a questionação e/ou a defesa. A dúvida, como primeiro estágio, quando ultrapassada, deixada de lado ou aceita, pode fazer o indivíduo voltar-se à defesa de sua identidade, “extremamente ‘massacrada’ pela sociedade intransigente e conservadora que nos cerca”. A exaltação paira em que os gays são diferentes e que essa diferença deve ser enfatizada na comunidade hetero. É quando não só o respeito e o direito de ir e vir são, muitas vezes, exigidos por manifestações de todos os tipos, desde mensagens até passeatas; há, também, uma visão impregnada que, por tanto tempo sendo tratados como inferiores, deveríamos reverter essa situação. Essa reversão daria-se, sobre os olhares de muitos, com a subjugação de valores de outrem ou, até, exigir “tratamento diferencial” perante a lei.

Decerto os homossexuais sofreram grande perseguição no passado e ainda a sofremos. Porém, vale julgar, descabidamente, como maléfica ou inferior esses “meios opressores” , mais especificamente, a sociedade e a religião alheia? Há, sem dúvida, inúmeros brados desprezando o catolicismo pela sua intolerância (como se todos os católicos partilhassem de uma mesma opinião homofóbica) e um possível conseqüente repúdio à religião e aos que a praticam. Ora, buscamos, além de tudo, o respeito às diferenças, o que não nos dispensa sua prática. E além de, às vezes, tomarem o cajado da intransigência, muitos gays tentam, ainda, prevalecer sobre os direitos de igualdade entre os cidadãos - tão caros à comunidade GLTTB. A procura por leis que privilegiem uniões homossexuais ou direitos dos mesmos é, para mim, tão descabida quando, no passado, outras leis que nos tinham como criminosos. Nossa luta deve concentrar-se no preconceito, na interferência no nosso direito de ir e vir e na aceitação de nossas tendências sexuais, e não na imposição de certa idolatria regada de inflexibilidade perante as opções de outros.

Garanto-lhes, há leis que qualificam atitudes abusivas ou prejudiciais como crime e passíveis de repreensão. Desde o trabalho à escola, o direito de escolha e de ser quem você é está garantido, e ações que impliquem em discriminação ou condenação podem, muito bem, ser repreendidas. Decerto a união homossexual civil pode, beneficamente, surgir não como uma necessidade empírica, mas sim como uma maneira de tentar acostumar os cidadãos à normalidade das uniões do mesmo sexo. Entretanto, expressando uma opinião particular, é aí que os gays se tornam conservadores, pois o casamento de “papel passado” está em declínio no planeta.

O mundo liberal ocidental abriu-nos espaço para lutarmos por nossa aceitação; porém, como é inerente ao liberalismo, há também espaço para uma vertente discriminatória, a qual usa essa liberdade para disseminar seus preconceitos. Entristecedor é notar que tal vertente pode ser associada a ambas as partes: tanto a hetero como a homo. Ser subjugado não lhe dá o direito de subjugar. O respeito foi e é essencial; então, empregá-lo cabe, primeiramente, a nós. Pior que um conservador homofóbico é um homossexual heterofóbico, pois este não só vai de encontro aos ideais do grupo ao qual faz parte, como ajuda na manutenção de sentimentos prejudiciais  às vidas de muitos.

Diogo Coelho
tem 17 anos e mora em Recife, PE

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