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Editoriais

 

Grupos E-jovens

por Deco Ribeiro
da sede do Grupo E-jovem

O Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados é o único grupo voltado a essa população jovem que atua em todo o país - e agora você pode ser parte desse movimento! Nessa edição, vamos dar todas as dicas para quem quiser montar um E-grupo em sua cidade. Vamos lá?

O Grupo
Antes de mais nada, é preciso entender o que é o Grupo E-jovem. Sem enrolar, pegando diretamente do nosso estatuto, temos:

"O GRUPO E-JOVEM tem por finalidades:

 I – Dar visibilidade e criar projetos de apoio, de resgate de cidadania e prevenção contra DSTs/AIDS a adolescentes e jovens gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, doravante chamados de E-JOVENS.

 II – Promover a digna inserção dos E-JOVENS nos âmbitos familiar, escolar e de trabalho, fazendo valer o que está escrito na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

 III – Promover uma maior integração entre esses E-JOVENS e adolescentes e jovens heterossexuais, mostrando que um mundo melhor é possível."

Ou seja, somos uma rede nacional de adolescentes e jovens ativistas no combate à homofobia e à hebifobia, o preconceito contra a juventude.

Para isso, nos organizamos na internet, por meio desse site e da lista de e-mails; e em várias cidades, nos E-grupos.

clique aqui para ler um estudo sobre a lista de e-mails do Grupo E-jovem (50K)
clique aqui para ler um capítulo do livro sobre o trabalho do E-jovem (500K)
clique aqui para conhecer os novos adolescentes gays
clique aqui para ler uma entrevista com Deco Ribeiro sobre adolescência e homossexualidade

Os E-grupos
Basicamente, um E-grupo é um Grupo E-jovem que atua em determinada cidade. Para saber a cidade, basta ler depois do “E-“: o E-Rio atua no Rio de Janeiro, o E-Manaus, em Manaus etc. Pra criar uma intimidade com a região, geralmente os E-jovens escolhem usar os apelidos de suas cidades, isto é, como elas são mais conhecidas ou chamadas por seus conterrâneos. Por isso, o grupo de São Paulo é o E-Sampa, o de Porto Alegre é o E-Poa, o de Belo Horizonte, E-Beagá. 

E o que eles fazem? Ah, aí varia. Um E-grupo é uma coisa orgânica, vai se desenvolvendo aos poucos. Não é um McDonalds, que já nasce pronto. Lembra das três finalidades descritas no estatuto? Aqueles são os seus objetivos. 

Como montar um E-grupo
A idéia é boa – mas como fazer? Esse sistema de Grupos E-jovens espalhados pelo Brasil é uma coisa totalmente nova. O que significa que tivemos que aprender na marra. Existem grupos que florescem e depois murcham. Existem grupos que desapareceram por completo. Mas com os erros e acertos nós fomos aprendendo.

Antes de mais nada, pro grupo fazer algo é preciso que exista um grupo. Jovens GLTTBs existem em todas cidades. Pega a população da sua cidade e divide por 60 e você tem o número de jovens gays e lésbicas que são vizinhos seus (No Brasil inteiro, são cerca de 3 milhões – sem contar os bissexuais). Se sua cidade for razoavelmente grande, é capaz até que tenham pessoas que já acessaram o E-jovem ou acessem com frequência – o que vc tem que fazer é simplesmente reunir esse povo. E, no começo, nada melhor do que a internet pra fazer isso.

1) Blog ~ montar um blog é realmente o estágio inicial de qualquer E-grupo. É com ele que você anuncia para o mundo que na sua cidade existe um Grupo E-jovem e para a sua cidade que lá existem jovens gays. O ideal do blog é mostrar um pouco de como é a vida do adolescente GLTTB na sua região – e, enquanto isso, ir fazendo contato com outros jovens. Todos os blogs do E-jovem são criados no Zip.net:

<<entre em contato com o Grupo E-jovem antes de criar o blog da sua cidade>>

Cadastrando os e-mails da galera que entra no blog e deixa recado, já dá pra criar uma lista.

2) Lista ~ criar uma lista é a melhor maneira de manter um primeiro contato mais próximo com os E-jovens da sua região. A vantagem é que todo mundo escreve e todo mundo recebe – é como uma sala de bate-papo aberta permanentemente.

É na lista de e-mails que as pessoas vão se conhecendo melhor e se preparando para o grande encontro.

3) Encontro ~ depois de dezenas de e-mails trocados, é natural que surja um interesse da galera em se conhecer. Se a cidade é pequena, provavelmente todos frequentam já o mesmo point, a mesma praça, o mesmo barzinho. Mesmo numa cidade enorme, como São Paulo, existem poucos lugares de grande concentração GLS – também é capaz de muitos membros do grupo já terem se visto sem nem saber. Mas também, por outro lado, há aqueles que nunca saíram, que estão se descobrindo agora e nunca tiveram amigos gays. Esses são os que vão aparecer na lista, tímidos, e só vão dar as caras lá pelo quinto encontro. Mas são os que mais soltam a franga depois...! hehe 

Os encontros começam informais, sempre. É uma pizzaria, uma balada, uma praça que todo mundo conheça e saiba como chegar. E, principalmente no começo, a galera se encontra mais pra se ver mesmo, conversar. Aqueles que nunca viram outro gay da mesma idade ficam maravilhados com tudo, aqueles que já se paqueravam por MSN finalmente acabam ficando. Não, não são raros os casais dentro (e por causa) de E-grupos. 

Mas tem também aquela turminha que que tá com os objetivos do grupo bem em mente. Que sabe que uma baladinha de vez em quando é bom, mas que não dá pra ficar só nisso. Que enquanto eles se divertem ali, muitos jovens estão sofrendo sozinhos, pensando em suicídio, ou sendo agredidos, às vezes pela própria família. São eles que levantam esses assuntos mais sérios nos encontros e acabam percebendo que ali não é o local ideal pra se falar dessas coisas. Que marcar balada é bom, mas que se o grupo pretende fazer alguma diferença, é preciso marcar logo um bate-papo.

4) Bate-papo ~ só os bate-papos, em si, já podem ser considerados o principal projeto do Grupo E-jovem. Se o E-grupo não fizer mais nada, mas conseguir estabelecer bate-papos com uma certa frequência, aberto aos adolescentes e jovens da cidade, ele já vai estar salvando muitas vidas. 

É no bate-papo que o grupo começa a cuidar da sua formação. Geralmente quem ainda não tem muita informação sobre homossexualidade ou direitos humanos em geral coloca ali as suas dúvidas e a galera tenta solucionar. Pra ajudar, podem levar textos para lerem juntos ou até mesmo chamar algum especialista para conversar com o grupo. Sexólogos, professores, psicólogos, advogados e até pais e mães de homossexuais costumam aparecer nos bate-papos, quando convidados, e fazem sucesso. Ou então o povo se junta pra ver um vídeo, geralmente de temática GLTTB ou de prevenção. 

Com o tempo, o que era um grupo de estudos passa a ser um grupo de apoio, ao passo em que os integrantes passam a confiar mais uns nos outros e a desabafar suas questões mais secretas, seus problemas e conflitos. É bom saber que existe um porto seguro e o Grupo E-jovem existe pra isso. E quando a solução de um problema exigir algum tipo de ação específica – seja conversar com um professor que faz piadinhas preconceituosas ou denunciar uma lanchonete homofóbica -, o propósito do grupo se completa. Mas em vez de ficar resolvendo problemas pontuais, por que não trabalhar em larga escala? Isso exige uma estratégia melhor – um projeto.

5) Projetos ~ um projeto é uma maneira inteligente de atacar um problema. Geralmente envolve a atuação de várias pessoas, por um período determinado de tempo, e pode ser realizado voluntariamente ou receber algum tipo de financiamento. Pode ser uma campanha para estimular o uso da camisinha, ou um conjunto de ações para diminuir o preconceito nas escolas, como o Projeto Escola Jovem, por exemplo. 

Quando um grupo chega nesse estágio, mudanças já começam a acontecer na sociedade. Seu trabalho pode influenciar políticas públicas do município, do estado e até do Governo Federal, por exemplo, ou alcançar repercussão e divulgação pela mídia. Vocês passam a ser um exemplo para outros jovens e colaboram para formar uma geração menos alienada e mais cidadã. E ainda ajudam a acabar com o preconceito e a discriminação. 

Minha cidade já tem um E-grupo – mas nada acontece. E agora?
Entre em contato com o Grupo E-jovem nacional e procure os contatos do coordenador da sua cidade. Fale com ele. Diga que quer ajudar, se esse for o problema. Peça para escrever no blog – se não existir um blog, ajude a criar um. Participe na lista, agite encontros. Marque um bate-papo, comece a bolar um projeto.

Às vezes um grupo começa de maneira atropelada e o progresso é mais difícil. Às vezes os integrantes de um grupo deixam tudo na mão de um coordenador que, coitado, não pode fazer muita coisa sozinho. Às vezes é falta de responsabilidade ou comprometimento mesmo. 

Em último caso, tome as rédeas, meu caro. Queremos jovens ativistas, não acomodados.

Procure-nos!Será um prazer ter você junto conosco.
 

Deco Ribeiro
presidente do Grupo E-jovem

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