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ARRASAMOS
EM BRASÍLIA!
Deco Ribeiro Essa semana que passou marcou momentos históricos para a Juventude GLBT. Primeiro pela nossa participação na Conferência Nacional de Juventude - das 19 propostas voltadas à juventude GLBT, nada menos que 16 tinham sido apresentadas pelo E-JOVEM, em suas conferências livres! Mas vamos por partes. Como funcionou
a Conferência
Olha a responsa!!
No primeiro dia, os delegados foram divididos por temas e, dentro de cada tema, selecionaram as 4 propostas mais importantes - transformando as 480 propostas em apenas 88 (já que eram 22 os temas). No segundo dia, essas 88 foram a votação. Todos os dois mil e tantos participantes receberam bolinhas adesivas coloridas que deveriam grudar na proposta que achassem mais importante. As três mais votadas de cada tema entrariam na carta de resoluções final. E as 22 mais votadas dentre todas seriam as 22 prioridades máximas. Nossa missão: encaixar uma proposta GLBT lá no topo, claro. Mas teríamos força?
Já na chegada, uma surpresa: entre os 22 temas que devíamos escolher, havia um "Cidadania GLBT". Era lá mesmo que a galera se encontraria. Éramos mais de 40: de Curitiba, de Campinas, de Belo Horizonte. De favelas do Rio de Janeiro ao interior do Piauí. Do Amapá, de Goiás, do Mato Grosso. A bandeira do arco-íris foi logocolocada à frente para nos lembrar do nosso lema: unidade na diversidade. E nos debruçamos sobre as propostas. Para o E-JOVEM, foi muito tranquilo: já havíamos discutido todas aquelas propostas e ajudamos bastante no debate, que durou das 9 às 18h. Na hora do almoço, resolvemos sair em passeata pelo pavilhão onde ocorria o evento. Juntamos as bandeiras, as faixas e saímos da sala aos gritos de "Ía ía ía, não à homofobia", "Não não não / à discriminação / atrás de um silicone também bate um coração" e "O Sexo / anal / derruba o capital". Fomos um sucesso! No final, escolhemos como prioridade da juventude GLBT o combate à homofobia na escola, seguido por propostas nas áreas de mídia e saúde, segurança pública e cultura. E não é que conseguimos emplacar uma proposta GLBT entre as 22 prioridades máximas do Governo?? A galera da Conferência votou bastante na proposta de educação, mas a mais votada do nosso grupo foi a de segurança pública, impulsionada pelos votos de apoio da juventude negra. E ainda aprovamos, na plenária final, uma moção de apoio ao PLC 122/06 (que criminaliza a homofobia) e às operações de "mudança de sexo" pelo SUS. Um arraso!! O importante é que logo na primeira Conferência de Juventude mostramos a nossa cara e levantamos nossa bandeira. Agora é fazer pressão para que nossas propostas sejam efetivadas. E que venham as próximas conferências!! Deco Ribeiro Conferência define 22 prioridades para a juventude Veja as resoluções da 1a Conferência Nacional de Juventude Veja o caderno temático de Cidadania GLBT, distribuído na Conferência (em pdf) Conheça as 4 prioridades Educação, Mídia e Saúde, Segurança Pública e Cultura: conheça em detalhes quais foram as propostas GLBT mais votadas na Conferência de Juventude Deco Ribeiro Os representantes da Juventude GLBT na Conferência Nacional de Juventude quebraram a cabeça pra selecionar apenas quatro dentre as quase 20 propostas gays apresentadas. No final, ficou claro que adolescentes e jovens GLBT querem segurança - na escola e na rua - e visibilidade. Com vocês, as quatro prioridades que se destacaram: 1) Criação e revisão curricular e institucional do espaço escolar para garantir o reconhecimento das especificidades das/dos jovens glbt, de forma permanente, garantindo nas escolas e universidades o reconhecimento e a valorização da livre orientação afetivo-sexual e de identidade de gênero. A grande prioridade, o desafio número um de todas as nossas conferências livres: combater a homofobia na escola. O grupo chegou à conclusão que é preciso mudar TUDO dentro da escola. Temos que criar disciplinas novas, que tratem de diversidade sexual, e mudar totalmente o modo como a escola vê o diferente. A escola atual, como extensão do Estado, tem horror à diferença. Ela existe pra criar uma massa de pessoas iguais. Quem não se encaixa é sutilmente (às vezes não tão sutilmente assim) expulso - as tais "evasões" escolares. É preciso que o Estado forme e capacite professors (de preferência, ainda na faculdade), diretores, funcionários, alunos e pais para a diversidade. É preciso que não ser homofóbico conste do processo de seleção de funcionários e educadores. É preciso que a escola coiba ativamente o bullying homofóbico e desconstrua os padrões tradicionais de gênero. Se a escola não mudar, nada muda. 2) Incentivar e garantir à SENASP/MJ a inclusão em todas as esferas dos cursos de formação dos operadores/as de segurança pública e privada em nível nacional, estadual e municipal o atendimento, abordagem e aprendizado ao respeito à livre orientação afetivo-sexual e de identidade de gênero com ampliação das DECRADI – delegacia de crimes raciais e delitos de intolerância. A proposta que mais sensibilizou os demais jovens da Conferência. Todos lá sentem na pele como a juventude é criminalizada, é automaticamente culpada de qualquer coisa. No caso GLBT, é preciso que o Estado crie políticas de segurança pública que garantam segurança em espaços de frequência e convivência GLBT, com policiais capacitados para respeitar a diversidade e para o combate à homofobia. 3) Campanhas e propagandas com personagens adolescentes e GLBT sobre dst/aids, criação de material específico de sexo seguro para as lésbicas e capacitação contínua de profissionais de saúde para a humanização do atendimento e tratamento ao público glbt respeitando suas especificidades. Muitas das necessidades dos jovens GLBT parecem um grito desesperado por reconhecimento. "Veja, estamos aqui! Existimos!!" E é mesmo. Por exemplo, nas campanhas de prevenção. Se há uma preocupação com o jovem gay, é preciso que a propaganda fale com este jovem. É preciso mostrar dois jovens gays juntos, usando a camisinha. Só aí a ficha vai cair. É preciso que profissionais de saúde estejam preparados para atender e trabalhar com a juventude GLBT desde o primeiro contato - muitos adolescentes e jovens não voltam a postos de saúde porque não foram bem recebidos da primeira vez. 4) Estimular atividades culturais e artísticas itinerantes, pelo interior dos estados, que enfoquem a juventude GLBT. Para o jovem do interior, é muito difícil se ver em produções culturais. Enquanto as grandes capitais já contam com peças e mostras de filmes de temática GLBT, o interior ainda é muito carente de uma produção diversificada. Tudo é muito dependente da televisão - que ignora a juventude GLBT totalmente. É essencial levar esse tema ao coração do país, aos pequenos municípios. Por exemplo, colocando telões nas praças para exibir filmes de temática jovem GLBT, como "Minha Vida em Cor de Rosa" ou "Delicada Atração". Isso é dar referência a adolescentes e jovens GLBT. Essas foram as propostas escolhidas. Detalhe: todas elas haviam sido discutidas e apresentadas pelo E-JOVEM como resultado da nossa Conferência Livre Nacional da Juventude GLBT. Desculpa aí!! =D Deco Jovens
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