por Deco
Ribeiro
publicada
originalmente na revista G Magazine 106 - julho/06
César,
o caçula de dois irmãos, se lembra que aos 12 anos de idade
amarrava fitinhas de Nosso Senhor do Bonfim no pulso pedindo para deixar
de ser gay. Mas ele sempre cortava a fitinha antes do tempo e cancelava
o pedido. Seu amigo Alan comenta que aos nove anos começaram a surgir
os xingamentos preconceituosos na escola – “bicha”, “viadinho” -, mas assume
que nem sabia o que significavam. E não identificava os seus sentimentos
com qualquer desses nomes. Para a menina Aira o problema era gostar de
jogar futebol: às vezes chegava roxa em casa, depois de brigar com
os garotos que implicavam por ela ser a única menina entre eles.
As situações
que César, Alan e Aira descrevem podem parecer familiares a muitos
outros homossexuais. E, para muita gente, seriam motivos mais que suficientes
para que eles reprimissem sua sexualidade e passassem a viver no armário,
certo?
Errado. Pois
os três ainda nem estão na faculdade mas já sabem o
que vão ser quando crescer: gays e lésbicas. E não
sentem necessidade de sofrer por causa disso.
Quando perguntados
se já ficaram com pessoas do sexo oposto, todos respondem que sim,
mas porque “achava que tinha de ficar”, “era o que todo mundo fazia”, “ficou
por ficar só pra ver como era”, “foi pressionada” ou “era o que
deveria ser”. E mesmo esse tipo de comportamento não passou dos
15 anos. A partir do momento em que esses jovens entraram definitivamente
na adolescência, a atração por pessoas do mesmo sexo
falou mais alto – a diferença é que eles escolheram viver
isso plenamente.
A Nova Onda
E não
estão sozinhos. Jovens em todo o mundo estão assumindo sua
homossexualidade muito mais cedo que há uma geração
atrás. Isso foi identificado no ano passado nos Estados Unidos pelo
pesquisador Ritch Savin-Williams, autor do livro “The New Gay Teenager”.
Segundo ele, garotos já estão se dando conta de que são
gays aos 12 anos e tendo seu primeiro contato sexual com alguém
do mesmo sexo entre 14 e 16 anos – exatamente como seus colegas héteros.
A novidade é que muitos estão se assumindo antes mesmo de
completar o ensino médio.
No Brasil,
existe muito poucas pesquisas sobre esse assunto. Mas para o sexólogo
Cláudio Picazio, acostumado a lidar com adolescentes em seu consultório
e a dar palestras em escolas sobre sexualidade, é visível
que o adolescente está redescobrindo a homossexualidade. “Na pré-adolescência
a criança fica confusa. Porque percebe uma atração,
sente sensações boas, com ambos os sexos, ou até mais
voltado a um deles, mas teme aquilo que começa a sentir. É
na adolescência mesmo, quando o corpo fica pronto, que não
dá mais pra segurar o desejo.”
Por que essa
confusão inicial? Para o psicólogo, isso se dá graças
ao papel da sociedade. “Há uma desconstrução da homossexualidade,”
diz Picazio. “Se o adolescente é afeminado, dizem que ele é
homossexual. E ele já é discriminado por causa disso.”
E essa discriminação
começa cada vez mais cedo.
Má
Educação
Segundo relatório
de 2004 da UNESCO, órgão das Nações Unidas
responsável pela educação, publicado no livro “Juventudes
e Sexualidade”, é preocupante o nível de homofobia nas escolas
brasileiras. Foi verificado que de cada quatro alunos, um não gostaria
de ter homossexuais como colegas de classe. Minoria, mas uma minoria barulhenta
– o método mais comum de violências contra homossexuais nas
escolas é a ofensa verbal, o xingamento, sempre com o intuito de
“humilhar, discriminar, ofender, ignorar, isolar, tiranizar e ameaçar”.
Mediando esse
conflito, estão, na linha de frente, os professores. Mais atrás,
orientadores pedagógicos, coordenadores e diretores. A posição
destes em relação à homossexualidade em sala de aula
foi documentada pela UNESCO como sendo mais liberal que a dos alunos –
de cada 100 professores, apenas 2 indicam que não gostariam de ter
homossexuais como alunos.
No entanto,
a pesquisa aponta que ao mesmo tempo em que isto é reconhecido,
há uma tentativa de banalizar tal fato. Ou pela dificuldade em lidar
com o assunto, ou fingindo que nada acontece – e, assim, pelo silêncio,
compactuando com a violência. Isso, claro, quando não são
os próprios professores os agentes da agressão, fazendo piadinhas
com homossexuais em sala de aula, por exemplo.
Esse preconceito
por parte dos educadores é revelado quando perguntados se acham
que homossexualidade é uma doença. De um mesmo grupo de 100
professores, 10 respondem afirmativamente. Isso mostra que a tolerância
por parte de alguns professores com relação aos alunos gays
e lésbicas é um tanto abstrata. Enquanto alguns jogam a culpa
nas próprias vítimas, que “tenderiam a se isolar” – em oposição
a serem isolados pelos colegas – outros chegam a censurar o aluno homossexual,
dizendo que ele não deve “deixar transparecer” que é gay.
Em vista disso,
é realmente de se espantar que os jovens estejam tendo coragem de
se asumir cada vez mais cedo.
Aliados
Héteros
Marcos, um
ator de teatro de 20 anos, não pensa duas vezes ao dar uma explicação
para essa coragem. “Não é que ser gay seja fácil.
Só é mais fácil que antigamente, porque hoje em dia
existem muitos héteros com a cabeça mais aberta para a homossexualidade.”
Sua amiga Maiara é uma delas. “Eu acho os gays maravilhosos, são
as melhores pessoas pra se ter como amigos,” diz ela, heterossexual e simpatizante
assumida, “O que incomoda é a crítica das pessoas que têm
preconceito, que te rotulam só porque você anda com um amigo
gay. Mas é porque elas não os conhecem.” Para os dois amigos,
o fato das pessoas estarem convivendo mais com a diversidade sexual vai,
aos poucos, abrindo caminho para essa maior aceitação.
E essa convivência
se dá em diversas áreas. Adolescentes gays desse início
de século aprenderam a escrever em e-mails, conversam por videofone
no computador e estão acostumados às dezenas de canais das
TVs a cabo. Eles se descobrem gays lado a lado das personagens lésbicas
Clara e Rafaela, da novela Mulheres Apaixonadas, de Jenifer e Eleonora,
de Senhora do Destino, ou do Júnior, de América. Assistindo
a homossexualidade retratada em seriados populares como The O.C., Will
and Grace e Queer Eye for the Straight Guy. Isso para não mencionar
os altamente gays Queer As Folk (traduzido no Brasil como Os Assumidos)
e o lésbico The L Word. No cinema, temos personagens gays simpáticos
(que não são caricaturas humorísticas ou meros figurantes)
desde Priscila, A Rainha do Deserto até Alexandre, o Grande – com
direito até a um dramalhão nos moldes tradicionais, com Brokeback
Mountain. Personagens gays aparecem em video games, nos quadrinhos, nos
jornais.
“Antes, os
únicos gays que tinham evidência eram os mais afeminados,”
diz Marcos. “Agora, parece que até aqueles que não se ‘entregam’
naturalmente estão escolhendo se assumir, pois sentem o ambiente
mais tranquilo.” Com voz grossa e sem trejeitos, ele mesmo não se
encaixa no estereótipo padrão de homossexual. Algumas pessoas,
como seus irmãos, tiveram de se esforçar para acreditar que
ele pudesse ser gay.
Jovens Comuns
Os jovens
gays de hoje não têm dúvidas: ser gay é sentir
atração por alguém do mesmo sexo, mas, mais que isso,
um desejo de ficar junto, embaixo do edredom, comendo pipoca e vendo filme
de terror, de namorar, casar e ter filhos com alguém do mesmo sexo.
Uma coisa que revolta a ambos é todo mundo achar que homossexualidade
tem a ver só com o ato sexual, só com sacanagem. Nada a ver.
Eles lembram de quando ainda eram virgens e já sabiam que eram gays.
Para eles,
ser gay não é melhor nem pior do que não ser. Não
estufam o peito e nem tentam se matar por causa disso. Eles se preocupam
mais com a nota da última prova e com o horário determinado
pela mãe para que voltem para casa do que com suas sexualidades.
Como qualquer adolescente comum.
O pesquisador
Ritch Savin-Williams termina seu livro sobre adolescentes gays com uma
frase do estudante Andrew James, que escreveu um artigo intitulado In Search
of Ordinary Joes (Em Busca dos Caras Comuns): “Revelar perfis de homossexuais
que são pessoas comuns pode não ser fabuloso, nem ser a última
moda, mas acho que deveria ser a próxima onda do movimento gay.”
Ele conclui
dizendo que é errado afirmar que a adolescência gay é
definida apenas por dor e sofrimento. Os que se comportam assim são
uma minoria. A maioria é feliz, se acha normal e quer viver essa
normalidade gay. Ou lés. Ou bi. Ou seja lá como essa sexualidade
se apresenta.

Deco Ribeiro
é jornalista, fundador do Grupo E-jovem e autor do livro
"Garotos Invisíveis"
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Adolescência
e homossexualidade:
Uma entrevista
com Deco Ribeiro
A homossexualidade ainda é
pouco compreendida. Preconceito e discriminação afetam sem
distinção toda a população de homossexuais.
Mas mesmo assim, podemos apontar alguma peculiaridade quando tratamos da
homossexualidade na adolescência? Algum desafio/dificuldade/problema/situação
específicos que precisa ser considerado?
Sim, podemos. Sem entrar em questões
específicas da fisiologia ou da psicologia adolescente – que também
devem ser levadas em consideração – de imediato podemos apontar
algumas peculiaridades enfrentadas pelos jovens gays:
1) Família ~ adolescentes
gays moram com os pais e estão sujeitos a este ambiente familiar.
Uma coisa é assumir-se gay depois de adulto, independente e morando
sozinho (o que já não é fácil!). Fazer isso
na adolescência, enfrentando a família (que muitas vezes pensa
mais em si do que no próprio jovem) requer muita coragem e uma abordagem
toda própria. É preciso trabalhar com esse jovem, com seus
pais, com irmãos etc., para que a situação se desenvolva
positivamente.
2) Escola ~ além da família,
o adolescente ainda se vê inserido quase metade do seu tempo em outro
ambiente que é o principal responsável pela reprodução
dos preconceitos da sociedade – a escola. Principalmente pela exagerada
intervenção dos pais no ambiente escolar, muitos professores
– que têm até uma cabeça mais aberta – não conseguem
transmitir noções de respeito à diversidade a seus
alunos. E muitos mesmo nem se dão ao trabalho. A escola continua
machista, conservadora e preconceituosa e, pior, tem um papel ativo na
reprodução e na manutenção desses preconceitos,
segundo estudos da própria UNESCO. Ou seja, trabalhar a homofobia
com/na escola também é fundamental.
3) Hebifobia ~Além disso tudo,
a sociedade atual é extremamente adultocêntrica. Ou seja,
o jovem é considerado um banana até completar a maioridade.
Isso tira do adolescente não só o direito de se manifestar,
mas também o de ser respeitado enquanto cidadão. O adolescente
gay, além de lutar contra os que têm preconceitos contra homossexuais,
deve ainda enfrentar aqueles que têm preconceitos contra a juventude
de modo geral, aqueles que acham que todo adolescente é idiota e
não sabe o que faz.
O E-jovem trabalha ativamente nesses
três pontos: combatendo a homofobia dentro de casa, nas escolas e
combatendo também a hebifobia.
Alguns especialistas apontam a
adolescência como uma fase peculiar. É o período de
conflitos, mudanças e descobertas, portanto, difícil de encarar.
Quando acrescentada a variável homossexualidade a questão
parece ficar ainda mais complexa. Como os adolescentes lidam com isso tudo?
Eles piram um pouco, é claro.
Dependendo da criação que tiveram, de repente tudo o que
eles sentem é considerado errado, pecado, sujo, imoral, criminoso.
Pior: seu próprio pai fala que mataria um filho gay, a professora
diz que homossexuais são doentes e o padre diz que são aberrações.
O adolescente pode esconder o que sente, e sofrer sozinho e em silêncio,
mentindo a todos que ama; ou pode se assumir e sofrer na pele um preconceito
que às vezxes ele pode não estar preparado para enfrentar.
Muitos adolescentes que nos procuram
estão perdidos e/ou isolados. Não sabem direito o que são
ou o que sentem ou acham que são uma mutação única
(“sou o único gay da minha escola”, “sou o único gay da minha
cidade”). Isso é decorrente de uma total falta de referência.
Eles não sabem o que é ser gay. A família não
conversa, a escola não ensina, a mídia não mostra.
Pra muitos, ser gay é ser travesti apenas ou ser o que eles chamam
de “bicha louca” (única referência que eles recebem da TV,
principalmente, e das piadas, certo?). Ao não se enquadrarem nesses
estereótipos, entram em crise. “Gosto de futebol, mas estou afim
do meu melhor amigo. O que acontece comigo?” Uma coisa não elimina
a outra, mas eles não sabem disso.
Qual o primeiro obstáculo
para o adolescente que se afirma homossexual?
O primeiro obstáculo, portanto,
é justamente o garoto ou a garota se aceitar. Ele precisa compreender
melhor o que é a homossexualidade, a bissexualidade, todas essas
questões de orientação sexual e identidade de gênero,
para então se descobrir enquanto indíviduo e, a partir daí,
poder exigir respeito como tal. Um jovem que não se ama como é,
não pode fazer com que outros o amem – e isso vale tanto para futuros
parceiros quanto para familiares e amigos.
Como a família e a escola
lidam com a questão?
Ah, não lidam. A não
ser que sejam forçados a isso, numa situação limite,
e aí o resultado nunca é bom, pois não houve um preparo,
uma instrução. Então fingem não ver, coagem
o jovem a não contar (“Se um dia eu souber que filho meu é
gay, eu juro que mato/expulso de casa/dou-lhe umas porradas!”) ou culpam
agentes externos em busca de soluções. Os pais geralmente
dizem que “isso” foi culpa da escola “muito liberal” ou da influência
de amigos. A escola diz que não pode tratar de homossexualidade
em sala de aula porque os pais não iam querer.
Normalmente qual a reação
dos pais e professores ao descobrirem a opção sexual?
Professores sentem-se muito pouco
preparados para lidar com isso profissionalmente. Essa já é
uma carência da formação desse profissional e todos
acusam a necessidade de uma capacitação específica
para lidar com isso. Nós procuramos oferecer esse tipo de treinamento,
e os professores são sempre muito abertos. As direções
das escolas é que emperram um pouco o processo, por medo da reação
dos pais.
Já estes, os pais, sentem-se
pessoalmente atingidos. Poucos param para pensar no jovem. É só
“O que os vizinhos/parentes/meus amigos vão dizer?!?” e um desatar
de sonhos perdidos (“Não vou ter netos!”, “Queria tanto que você
casasse...”, etc). Por um lado, é compreensível isso. No
momento que um menino gay conta para a família a verdade, ele está
criando imediatamente um “pai de gay”, uma “mãe de gay”, etc, que
se vêm diante de um preconceito para o qual eles não se prepararam
para enfrentar.
Pais estão preparados para
lidar com a questão?
É como eu disse, não
estão. Pois essa preparação passa pelas mesmas etapas
que o garoto passou até se aceitar: um pai, uma mãe, também
precisa se aceitar como “pai de gay” antes de tudo, precisa se informar
sobre essas questões todas, tirar suas próprias dúvidas,
antes de poder sair e enfrentar o mundo de peito aberto. Se esse processo
já é doloroso pra uma cabecinha de 15 anos, imagine pra uma
de 40, 50. Muitos pais também nos chegam perdidos e/ou isolados
(afinal , muitos não conhecem nenhum outro pai ou mãe de
gay para poderem conversar sobre o assunto). Nós, no E-jovem, procuramos
sempre aproximar esses pais. Tem dado resultados ótimos.
Em geral, essa exclusão
dos espaços sociais (família, escola e grupos de amigos)
não afeta a própria construção de identidade
do adolescente homossexual? Quais as implicações diretas
que essa postura pode trazer para esse jovem em pleno processo de desenvolvimento?
Claro. O jovem assim excluído
acaba não formando fortes laços familiares, o que pode afetar
toda sua capacidade de manter relacionamentos futuros; pode acabar se alienando
na escola e não completando os estudos (depende do grau de violência
sofrida. Alguns apenas se vêm isolados dos amigos, mas não
a ponto de abandonar a escola: acabam mergulhando nos estudos e se tornam
introspectivos). Podem recorrer a drogas, ao álcool. Muitos meninos
se tornam violentos contra outros homossexuais ou contra mulheres. Podem
desenvolver depressão e isso pode levar a remédios e seus
efeitos colaterais – até mesmo ao suicídio.
Há indícios que
apontam aumento de suicídios, do uso de drogas como tentativa que
esses meninos e meninas têm para se defenderem. Situações
extremas como essa de fato acontecem?
Sim. Três adolescentes gays
se suicidam por dia, no Brasil, por questões ligadas a sua orientação
sexual. Meninos, seis vezes mais que meninas – o que mostra o tamanho e
a crueldade do machismo brasileiro. Meninos são os que mais agridem
e meninos gays são os que mais sofrem violência. Também
existem dados no exterior que apontam para um abuso do uso de fumo, álcool
e drogas por parte de adolescentes gays e daí para o sexo irresponsável
e doenças sexualmente transmissíveis é um pulo...
Ou seja, a questão da homossexualidade na adolescência é
sim uma questão de saúde pública.
Outra questão: Faltam modelos
de referências. Adolescentes homossexuais têm dificuldade em
encontrar modelos positivos de identificação, já que
a maioria permanece invisível em nossa sociedade. Os que se assumem
publicamente com frequência ostentam comportamentos estereotipados
e/ou são vítimas de escárnio e discriminação.
Em que se sentido essa falta de referência acaba sendo negativa?
Que implicações essa mesma falta de referência tem
para o garoto e garota homossexual?
Em que sentido? Em todos. Já
comentei acima sobre isso. Como solucionar? Uma mídia mais responsável,
pais mais bem informados e uma escola menos covarde.
Ninguém quer ser algo desprezado
por tudo e por todos. Ninguém escolhe ser uma Geni (e isso deveria
ser argumento suficiente para aqueles que ainda cismam em tratar a homossexualidade
como uma “opção” sexual). Ninguém escolhe nada. Se
somos assim, precisamos saber direito o que é isso e não
adianta nada a sociedade ficar tampando o sol com peneira. Isso só
cria indivíduos desajustados, que depois se voltam contra essa mesma
sociedade.
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